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Contracheque de juiz: por que o líquido passa do subsídio

O subsídio é todo o salário de um juiz? Não, é a base. De junho a agosto de 2026, o líquido passou do subsídio em mais de 9 de cada 10 contracheques de juízes com atividade comprovada, segundo o Painel de Remuneração dos Magistrados do CNJ. Para um juiz titular, o salário-base (subsídio) teve mediana de R$ 39,8 mil em agosto, e o líquido mediano ficou entre R$ 55,0 mil e R$ 63,6 mil por mês, conforme o ramo da Justiça e o mês.
Dado extraído do Painel de Remuneração dos Magistrados, do Conselho Nacional de Justiça. Ver o salário acima do teto →
A mediana é o valor do meio: pelo menos metade recebeu esse valor ou mais, e pelo menos metade, esse valor ou menos. Contamos só magistrados com atividade comprovada, nos tribunais em que essa prova alcança pelo menos 65% dos contracheques, sem contar os que o tribunal marca como de aposentados e pensionistas: 35 dos 83 com folha de agosto. A conta do líquido usa os tribunais que passaram nos três meses e deixa de fora o juiz substituto estadual (motivo mais abaixo).
O subsídio é a base, e é o número que se compara
A Constituição manda pagar o juiz por “subsídio fixado em parcela única” (art. 39, § 4º). O ponto de partida é o subsídio de ministro do STF, R$ 46.366,19 desde fevereiro de 2025 (Lei 14.520/2023), que é também o teto do serviço público (art. 37, XI). Os demais subsídios descem em degraus a partir dele (art. 93, V).
| Cargo | Subsídio mediano (ago/2026) |
|---|---|
| Juiz de direito | R$ 39.753,20 |
| Juiz substituto estadual | R$ 35.877,28 |
| Desembargador de Tribunal de Justiça | R$ 41.845,49 |
| Juiz federal | R$ 39.753,21 |
| Juiz federal substituto | R$ 39.753,21 |
| Desembargador federal | R$ 41.845,49 |
| Juiz do trabalho | R$ 39.753,21 |
| Juiz do trabalho substituto | R$ 37.765,55 |
| Desembargador do trabalho | R$ 41.845,49 |
O subsídio quase não muda entre os ramos: é o número para comparar um tribunal com outro. Quanto cada cargo recebe no mês, com remuneração, indenizações e líquido, está na página de cada um, na tabela acima (no juiz substituto estadual, só o subsídio; o motivo está mais abaixo).
O que se soma ao subsídio
O contracheque que o CNJ manda os tribunais preencherem (modelo da Portaria CNJ 63/2017) tem quatro colunas de pagamento:
- Subsídio, a base.
- Vantagens pessoais, como o abono de permanência.
- Indenizações: auxílio-alimentação, auxílio-saúde, auxílio-moradia, ajuda de custo e outras parcelas que o tribunal lança como indenização.
- Vantagens eventuais: terço de férias, 13º salário, gratificação por exercício cumulativo, pagamentos retroativos e outras.
Do total saem previdência, imposto de renda, descontos diversos e o valor retido por passar do teto, o abate-teto. O que sobra é o rendimento líquido.
O teto não alcança tudo. A Constituição exclui do limite as parcelas indenizatórias previstas em lei (art. 37, § 11), e enquanto a lei nacional que ela pede não sai, a Emenda Constitucional 135/2024 deixa fora as “previstas na legislação” (art. 3º). Na planilha, a coluna de indenizações traz o que o tribunal lança como verba indenizatória, e a mesma parcela pode aparecer em colunas diferentes: em julho de 2026, a gratificação por exercício cumulativo apareceu tanto nas indenizações quanto nas vantagens eventuais. Quais verbas valem como indenização para a magistratura, o STF decidiu em março de 2026, e o CNJ e o CNMP padronizaram em abril.
Por que o líquido passa do subsídio
Em agosto de 2026, nos oito cargos com remuneração publicada:
- 97,5% dos contracheques tinham remuneração acima do subsídio, por causa das vantagens pessoais e eventuais;
- 85,9% tinham alguma indenização, que entra no líquido;
- mesmo depois dos descontos, o líquido ficou acima do subsídio em 96,3%.
O peso de cada coluna muda de um ramo para outro, e também de um mês para outro: há ramos em que a maior parte do que passa do subsídio vem como remuneração, e outros em que boa parte vem como indenização. Por isso, não compare ramos só pela remuneração de um mês. A folha não diz por que uma parcela entra numa coluna ou na outra. A comparação ramo a ramo, mês a mês, fica para o post do blog sobre bruto e líquido em cada ramo da Justiça.
Como ler as páginas do Judiciário
Cada página de cargo, a partir do hub do Judiciário, mostra quatro medidas:
- Subsídio: a base, do último mês. É o número estável.
- Remuneração: subsídio mais vantagens pessoais e eventuais, antes do corte do teto e sem indenizações. Sobe no mês de férias, de 13º ou de atrasados, e por isso aparece em três meses, nunca em um só.
- Indenizações: o que o tribunal lança como indenização. Fica fora da remuneração e entra no líquido.
- Líquido: o que sobra depois dos descontos, com as indenizações dentro.
Medianas não se somam: remuneração mediana mais indenização mediana não dá o líquido mediano.
Nem todo tribunal aparece todo mês. O painel não informa quem está na ativa, então contamos como ativo quem teve terço de férias, abono de permanência ou gratificação por exercício cumulativo nos três últimos meses. O tribunal entra no mês em que essa regra reconhece pelo menos 65% dos contracheques, sem contar os que ele marca como de aposentados e pensionistas; quem fica de fora é listado na página, com o motivo. No juiz substituto estadual, a regra reconhece poucos contracheques, e os reconhecidos não representam bem o cargo: por isso só o subsídio é publicado.
Perguntas frequentes
Os números abaixo são os das páginas de cargo: subsídio mediano de agosto de 2026 e líquido mediano de junho a agosto de 2026, entre magistrados com atividade comprovada. O líquido inclui as indenizações e não tira descontos pessoais.
Quanto ganha um juiz do trabalho?
O subsídio mediano foi de R$ 39.753,21 em agosto de 2026. O líquido mediano ficou entre R$ 56,9 mil e R$ 63,6 mil por mês, de junho a agosto. O mês a mês e os tribunais estão na página do juiz do trabalho.
Juiz do trabalho: salário e benefícios
O salário-base é o subsídio, de R$ 39.753,21 na mediana de agosto de 2026. No modelo do CNJ, auxílios como alimentação, saúde e moradia vão para a coluna de indenizações, junto com outras parcelas que o tribunal lança como indenização; essa coluna teve mediana entre R$ 25,8 mil e R$ 27,8 mil por mês de junho a agosto. A folha traz o total da coluna, não quanto dele é auxílio. Veja a página do juiz do trabalho.
Quanto ganha um desembargador federal?
O subsídio mediano foi de R$ 41.845,49 em agosto de 2026. O líquido mediano ficou entre R$ 63,2 mil e R$ 63,7 mil por mês, de junho a agosto. Os detalhes estão na página do desembargador federal.
Qual é o salário de um juiz federal?
O subsídio mediano foi de R$ 39.753,21 em agosto de 2026, e o líquido mediano ficou entre R$ 56,8 mil e R$ 58,7 mil por mês, de junho a agosto. Veja a página do juiz federal.
Quanto ganha um desembargador?
Depende do ramo. No Tribunal de Justiça, o subsídio mediano foi de R$ 41.845,49 em agosto de 2026, e o líquido mediano ficou entre R$ 64,5 mil e R$ 66,0 mil por mês, de junho a agosto. O mesmo subsídio aparece no desembargador federal e no desembargador do trabalho. Veja a página do desembargador de Tribunal de Justiça.
Quanto ganha um juiz substituto?
Depende do ramo. Na Justiça do Trabalho, o subsídio mediano foi de R$ 37.765,55 em agosto de 2026, com líquido mediano entre R$ 52,3 mil e R$ 57,8 mil de junho a agosto (juiz do trabalho substituto). Na Justiça Federal, o subsídio mediano foi o mesmo do titular, R$ 39.753,21, e a folha não diz por quê (juiz federal substituto). Na Justiça Estadual, só o subsídio é publicado: mediana de R$ 35.877,28 (juiz substituto estadual).
Quanto ganha um juiz de direito?
O subsídio mediano foi de R$ 39.753,20 em agosto de 2026. O líquido mediano ficou entre R$ 55,0 mil e R$ 55,7 mil por mês, de junho a agosto. Veja a página do juiz de direito.
O que o dado não diz
- Não diz a base legal de cada parcela, nem quais parcelas o tribunal submeteu ao teto. A base que guardamos tem o total de cada coluna e só as três parcelas que usamos para provar atividade.
- Não é o que cai na conta. Os descontos diversos do modelo do CNJ são os de “caráter não pessoal”: consignado e pensão alimentícia não aparecem.
- Não cobre o Judiciário inteiro. O STF não está no painel, e analistas e técnicos judiciários não estão nesta fonte. Ficam fora também os contracheques sem prova de atividade, que não são necessariamente de aposentados.
Para que serve este número
Se você estuda para a magistratura, compare o subsídio entre ramos e tribunais, e o líquido em vários meses, no tribunal que quer. O corte pelo teto em cada tribunal está no termômetro do teto, e as regras, em teto do funcionalismo. As indenizações parcela a parcela estão no post sobre magistrados acima do teto. No Ministério Público Federal, a planilha é outra: veja procurador da República: subsídio e total pago.
Os órgãos e cargos com consulta por pessoa estão na busca de remuneração de servidores públicos; magistrados não entram nela, porque a fonte do Judiciário é guardada sem nome.
Veja o corte pelo teto no Judiciário
Quantos contracheques de magistrados foram cortados pelo teto, por tribunal e por cargo, do mesmo painel do CNJ usado neste texto.