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Procurador da República: o subsídio e o total pago no mês

Autor Equipe Ganha QuantoPublicado Atualizado Dado de agosto/2026 (série de junho a agosto/2026)Fonte Portal da Transparência do Ministério Público Federal — planilhas de remuneração de membros ativos e de verbas indenizatórias e outras remunerações temporárias, jun a ago/2026; Resolução Conjunta nº 14/2026, do CNMP com o Conselho Nacional de Justiça; Portaria PGR/MPU nº 42/2026

Procurador da República: o subsídio e o total pago no mês

Em agosto de 2026, a coluna “Total de Rendimentos Brutos” da planilha de remuneração do Ministério Público Federal tem mediana de R$ 39.753,22 para os 800 procuradores da República ativos, o mesmo valor que 93,9% deles têm de subsídio. Somadas as duas colunas que esse total deixa de fora, as verbas indenizatórias e as remunerações temporárias, a mediana do total pago no mês em contracheque foi de R$ 63.605,16, antes dos descontos. A diferença, de R$ 23.851,94, equivale a 60,0% do subsídio.

Total de rendimentos brutos da planilha, mediana
R$ 39.753,22
Total pago no mês antes dos descontos, mediana
R$ 63.605,16
Verbas indenizatórias, fora do total bruto
R$ 18,5 milhões

Dado extraído das planilhas de remuneração do Portal da Transparência do Ministério Público Federal. Ver os cargos do Ministério Público →

O total bruto da planilha não soma tudo o que foi pago

A planilha de membros ativos do Portal da Transparência do Ministério Público Federal tem 14 colunas numeradas. A coluna (9), “Total de Rendimentos Brutos”, é a soma das colunas (1) a (6): remuneração do cargo efetivo, outras verbas remuneratórias, função de confiança ou cargo em comissão, gratificação natalina, terço de férias e abono de permanência. A soma fecha nas 800 linhas de cada mês, de junho a agosto.

As colunas (7), “Outras Remunerações Temporárias”, e (8), “Verbas Indenizatórias”, ficam fora. A nota de rodapé da planilha diz: “A partir de Dezembro de 2016, o campo ‘Total de Rendimentos Brutos’ deixou de considerar no cálculo os valores de indenizações e outras remunerações temporárias.”

Para o cargo, isso deixa o total bruto quase igual ao subsídio. Em agosto:

  • 751 dos 800 têm R$ 39.753,22 na coluna (1). Outros 48 têm R$ 44.047,88 e um tem outro valor; a planilha não diz por quê.
  • Em 755 dos 800, a coluna (9) é idêntica à (1). Nos outros 45 há valor em função de confiança ou cargo em comissão (33 pessoas), terço de férias (13) ou outras verbas remuneratórias (1); duas pessoas têm mais de uma.
  • A coluna (6), abono de permanência, está zerada para os 800; a rubrica de nome parecido, adiante, está na coluna (8).
  • A coluna (12), “Retenção por Teto Constitucional”, que o site chama de abate-teto, tem valor para 34 dos 800 e soma R$ 144.641,90; 33 deles têm valor na coluna (3). A nota da planilha a define como o “valor deduzido da remuneração básica bruta, quando esta ultrapassa o teto constitucional”.

Verbas indenizatórias de agosto: R$ 18,5 milhões fora do total bruto

Somas das 800 linhas de agosto:

Coluna da planilha Soma no mês Quem recebeu
(1) Remuneração do cargo efetivo R$ 32.012.871,18 800
(9) Total de rendimentos brutos R$ 32.486.770,51 800
(7) Outras remunerações temporárias R$ 59.335,93 21
(8) Verbas indenizatórias R$ 18.471.369,69 800
Total pago: (9) + (7) + (8) R$ 51.017.476,13 800

A última linha é conta nossa, não da planilha: somamos as três colunas, pessoa a pessoa, antes dos descontos. A coluna (8) equivale a 57,7% da soma da (1) e a 36,2% do total pago.

Duas rubricas respondem por 98,3% das verbas indenizatórias

Uma segunda planilha do portal abre a coluna (8) rubrica por rubrica, com os nomes como a fonte escreve:

Rubrica Quem recebeu Soma no mês Fatia da coluna (8) Em % da soma da coluna (1) Mediana entre quem recebeu
GAO (RES. 14/2016/STF/CNMP) 791 (98,9%) R$ 11.042.181,58 59,8% 34,5% R$ 13.913,63
PVTAC (RES. 14/2016/STF/CNMP) 800 (100,0%) R$ 7.109.551,94 38,5% 22,2% R$ 7.950,64
AB DE PERM (ISENTO RES. 14/2016/STF/CNMP) 29 (3,6%) R$ 166.665,93 0,9% 0,5% R$ 6.296,22
Outras 3 rubricas, com menos de 10 pessoas cada 8 lançamentos, um deles negativo R$ 152.970,24 0,8% 0,5% –

A planilha não explica as siglas e escreve “RES. 14/2016/STF/CNMP” ao lado delas. A Resolução Conjunta CNJ/CNMP nº 14, de 2026 padroniza as parcelas indenizatórias de magistrados e membros do Ministério Público. Os arts. 3º e 9º tratam das duas rubricas do topo da tabela:

  • Art. 3º: “parcela indenizatória de valorização por tempo de antiguidade na carreira”, de 5% do subsídio a cada cinco anos de efetivo exercício em atividade jurídica, até o máximo de 35%.
  • Art. 9º: gratificação por exercício cumulativo de jurisdição, atribuição ou ofício, de até 35% do subsídio a cada 30 dias.

A Portaria PGR/MPU nº 42, de 28 de abril de 2026 regulamenta a segunda no Ministério Público da União, chama-a de GAO e fixa o valor em 35% do subsídio a cada 30 dias, proporcional ao período. Em agosto, 787 dos 791 que receberam GAO tiveram exatamente 35% da própria coluna (1): R$ 13.913,63 para quem tem subsídio de R$ 39.753,22.

A sigla PVTAC tem nome em ato do próprio órgão: a Portaria SG nº 19, de 11 de junho de 2026 (Diário do Ministério Público Federal Eletrônico nº 107/2026, Caderno Administrativo, página 3), fala na “implantação da Parcela de Valorização por Tempo de Antiguidade na Carreira (PVTAC)”. É o nome da parcela do art. 3º. O Supremo Tribunal Federal, em notícia de 1º de julho de 2026, descreve a PVTAC com a regra do artigo: 5% do subsídio a cada cinco anos de atividade jurídica, até o limite de 35%.

A PVTAC segue os degraus de 5% do art. 3º

Em agosto, os 800 valores de PVTAC são múltiplos exatos de 5% da coluna (1) de cada pessoa, de 5% a 35%, como o artigo prevê. A planilha não informa o tempo de atividade de ninguém, só o valor:

PVTAC, em % da coluna (1) Valor para subsídio de R$ 39.753,22 Procuradores
5% ou 10% R$ 1.987,66 ou R$ 3.975,32 39
15% R$ 5.962,98 134
20% R$ 7.950,64 251
25% R$ 9.938,31 233
30% R$ 11.925,97 90
35% R$ 13.913,63 53

Quatro valores do total pago reúnem 603 dos 800 procuradores (75,4%): R$ 61.617,49 (214 pessoas), R$ 63.605,16 (203), R$ 59.629,83 (112) e R$ 65.592,82 (74). Cada um é a soma exata de subsídio de R$ 39.753,22, GAO de 35% e PVTAC num degrau de 15% a 30%, sem mais nada. A mediana de R$ 63.605,16 é um desses degraus, não um valor intermediário.

De junho a agosto, a mediana caiu de R$ 66.697,05 para R$ 63.605,16

Mês de 2026 Mediana do total pago Média do total pago Soma da coluna (8)
Junho R$ 66.697,05 R$ 67.388,29 R$ 21,18 milhões
Julho R$ 63.605,16 R$ 63.561,05 R$ 18,23 milhões
Agosto R$ 63.605,16 R$ 63.771,85 R$ 18,47 milhões

O valor mais comum da coluna (1) foi o mesmo nos três meses, R$ 39.753,22, e as 800 matrículas são as mesmas. De junho para agosto, a soma do total pago caiu R$ 2.893.153,99: R$ 2.712.056,96 (93,7%) na coluna (8) e R$ 218.081,39 na (9), dentro da qual o terço de férias caiu R$ 230.531,49. A coluna (7) subiu R$ 36.984,36. Na coluna (8):

  • Em junho, 350 procuradores receberam “INDENIZAÇÕES DE FÉRIAS” (R$ 3.014.339,51 ao todo) e 161 receberam “GRAT. 1ª INFANCIA E MATERNIDADE (RES. 14/2016/STF/CNMP)” (R$ 247.025,14). Em julho nenhuma das duas aparece; em agosto, só a primeira, para menos de 10 pessoas. Tirando as duas da conta de cada pessoa, a mediana de junho fica em R$ 61.617,49.
  • A soma da PVTAC passou de R$ 6.751.111,85 em junho para R$ 7.109.551,94 em agosto: 186 procuradores tinham em agosto um valor maior que o de junho, 559 o mesmo e 55 um menor.

A resolução lista, entre as verbas indenizatórias, a indenização de férias não gozadas e uma gratificação de proteção à primeira infância e à maternidade (art. 5º). A planilha não diz por que as duas rubricas aparecem em junho e não depois, nem o que mudou na PVTAC de cada pessoa.

O que o dado não diz

  • Só o Ministério Público Federal, só membros ativos. Os outros ramos do Ministério Público da União e os Ministérios Públicos dos estados publicam em portais próprios. Aposentados e pensionistas têm planilhas separadas, que não lemos.
  • Não é valor líquido. O total pago vem antes de imposto de renda, previdência e retenção por teto. O rendimento líquido da planilha também exclui as colunas (7) e (8), e ela avisa que ele “pode ser maior do que o efetivamente recebido”.
  • Só o contracheque. O portal lista à parte os pagamentos não registrados em contracheque, que não entram no total pago: em agosto, 72 lançamentos para o cargo, R$ 178.234,07, dos quais R$ 125.485,05 em ressarcimento de auxílio-moradia.
  • Diárias ficam de fora. A planilha de verbas indenizatórias as exclui; o portal as publica na seção diárias e passagens, que não medimos. As planilhas de exercícios anteriores de membros ativos, de junho a agosto, não trazem dados.
  • São três meses. A resolução é de abril de 2026 e deu até 30 dias para as adequações (art. 15). Não lemos meses anteriores a junho, e a composição de antes pode ser outra.

Para conferir

O cargo, mês a mês, está em quanto ganha um procurador da República, e os demais cargos, em remuneração no Ministério Público Federal. As rubricas de membros e servidores, uma a uma, estão no ranking das verbas indenizatórias. Essa folha entra no site sem nome, fora da consulta por pessoa; para os órgãos em que ela existe, use a busca de remuneração de servidores públicos.

Veja a remuneração no Ministério Público Federal

O valor do cargo efetivo, o total pago no mês e cada verba indenizatória, cargo a cargo, das mesmas planilhas usadas neste texto.

Ver os cargos do Ministério Público