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Salário de professor: três números oficiais que não se comparam

Equipe Ganha Quantodado de julho/2026 (folha federal e folha do Estado de SP) e agosto/2025 a julho/2026 (admissões CLT)

Salário de professor: três números oficiais que não se comparam

Quanto ganha um professor? Este site tem três números oficiais, e eles não se comparam. No magistério superior federal em dedicação exclusiva, a mediana da remuneração bruta de julho de 2026 é R$ 21.524,52. Na folha do Estado de São Paulo, entre os Professores de Educação Básica II (PEB II) ativos com 40 horas, a mediana do salário do mês de julho de 2026 é R$ 7.869,49. Com carteira assinada, a mediana do salário de admissão de professor da educação básica contratado para 40 horas é R$ 2.547,55, de agosto de 2025 a julho de 2026.

Mediana, magistério superior federal, DE
R$ 21.524,52
Mediana, PEB II do Estado de SP, 40h
R$ 7.869,49
Mediana de admissão CLT, educação básica, 40h
R$ 2.547,55

Dados oficiais: portais de transparência, no setor público, e microdados do Novo CAGED, do Ministério do Trabalho, no setor privado. Ver as profissões → · Consultar a base →

Pela ordem, cada mediana sai de 79.470 professores do Executivo federal, 30.003 PEB II ativos do Estado e 34.960 admissões de 40 horas no Novo CAGED. No Dia do Professor, 15 de outubro, vale separar o que cada um responde.

O que cada número mede

Folha federal Folha do Estado de SP Admissão CLT
Quem está na conta quem ocupa hoje o cargo de professor do magistério superior (substituto e visitante são outros cargos) quem ocupa hoje o cargo de PEB II, só ativos quem foi contratado com carteira assinada em 12 meses, em códigos de CBO de professor
O valor é remuneração bruta do mês, antes do abate-teto e sem verbas indenizatórias salário do mês, a coluna Remuneração do portal, sem férias, 13º, pagamentos eventuais e indenizações salário mensal declarado no contrato, sem comissão, hora extra nem benefício
Jornada regime da folha: dedicação exclusiva, 40 ou 20 horas jornada do CSV mensal do portal horas contratuais semanais, em faixas

Leia as colunas lado a lado: muda quem é contado, o que entra no valor e a jornada. Por isso os três não cabem na mesma conta.

Folha federal: a mediana de 79.470 professores em dedicação exclusiva

Em julho de 2026, eram 87.507 registros de professor do magistério superior no Executivo federal civil, 87.479 com bruta publicada. Por regime de jornada:

Regime na folha Servidores com bruta P10 Mediana P90
Dedicação exclusiva 79.470 R$ 13.753,96 R$ 21.524,52 R$ 27.551,31
40 horas semanais 4.778 R$ 5.907,12 R$ 9.746,92 R$ 16.650,17
20 horas semanais 3.231 R$ 3.518,45 R$ 5.037,78 R$ 10.255,21

Comece pela primeira linha. Ali a mediana não está num degrau: só 50 dos 79.470 têm exatamente R$ 21.524,52, e a média é R$ 20.586,39. Mas a distribuição tem degraus: 5.895 servidores recebem exatamente R$ 13.753,96, 5.723 recebem R$ 23.933,44 e 5.406 recebem R$ 20.674,61, logo abaixo da mediana. A folha não traz classe, nível nem titulação.

A página do cargo mostra outro número. Entre outras razões, porque soma à carreira o substituto (7.499 registros), o visitante (780), o titular-livre (112) e o temporário (44), e porque junta o Estado de São Paulo e todos os regimes de jornada.

Folha do Estado de SP: o PEB II de 40 horas e a jornada “00”

São os 71.215 ativos de PEB II com salário do mês em julho de 2026, por jornada:

Jornada no CSV Ativos P10 Mediana P90
40 horas 30.003 R$ 5.777,99 R$ 7.869,49 R$ 10.716,62
30 horas 8.059 R$ 4.245,73 R$ 5.483,75 R$ 7.905,62
24 horas 11.832 R$ 3.316,97 R$ 3.977,47 R$ 6.973,45
12 horas 7.341 R$ 1.717,77 R$ 2.102,65 R$ 6.595,95
“00” 13.980 R$ 4.208,29 R$ 7.263,63 R$ 10.148,06

Olhe a linha de 40 horas: não há degrau na mediana, só 2 ativos têm exatamente R$ 7.869,49, e o valor mais repetido (R$ 7.709,77) tem 275 dos 30.003. O portal não explica a jornada “00”.

A página do cargo “professor” mede o conjunto dos cargos estaduais de professor (entre eles PEB II, PROF ENSINO FUNDAMENTAL/MEDIO, PEB I e PEB-I). A linha de 40 horas dela, R$ 7.791,00 para 41.956 ativos, é a mediana do conjunto: 5.025 ativos têm exatamente esse valor, 4.996 deles no PROF ENSINO FUNDAMENTAL/MEDIO. Para o PEB II sozinho, vale a página do cargo na Secretaria da Educação.

Carteira assinada: o valor depende da jornada, do CBO e de como a hora é paga

A tabela traz o salário de admissão de agosto de 2025 a julho de 2026, sem empregador público. Cada linha é uma jornada diferente, e nenhuma resume a profissão:

Página Jornada Admissões Mediana Pagas por hora Horas semanais (mediana) Concentrada num valor
Educação básica até 20h 58.249 R$ 1.416,45 68,7% 12 não
Educação básica 40h 34.960 R$ 2.547,55 13,2% 40 sim
Educação básica 41 a 44h 98.270 R$ 1.933,47 10,9% 44 sim
Universitário até 20h 33.543 R$ 1.206,00 86,2% 6 não
Universitário 40h 3.757 R$ 9.470,00 72,7% 40 não
Universitário 41 a 44h 7.335 R$ 5.840,47 66,9% 44 sim
Ensino técnico até 20h 4.770 R$ 1.678,61 63,5% 12 sim
Ensino técnico 40h 3.001 R$ 5.330,08 19,2% 40 sim
Ensino técnico 41 a 44h 7.425 R$ 4.252,54 35,3% 44 sim

Olhe a última coluna. “Concentrada” é a marca do site para jornadas em que muita gente entra exatamente no mesmo valor: ali a mediana descreve mais a concentração do que a variação.

A hora paga. Nas admissões pagas por hora, o salário do arquivo já vem mensalizado (a conta está em “Como medimos”). Por isso a mediana de R$ 1.206,00 do professor universitário de até 20 horas é de contratos com mediana de 6 horas por semana. O campo é “horas contratuais semanais”: o arquivo não diz se a hora é hora-aula ou hora de relógio.

A família não é só professor. A página de educação básica soma 34 CBOs. Nas admissões para 40 horas, 15.209 das 34.960 (43,5%) são de auxiliar de desenvolvimento infantil, com mediana de R$ 1.886,57. As de professor de nível superior na educação infantil (zero a três anos) são 7.648 (21,9%), com mediana de R$ 4.896,87. Nas de 41 a 44 horas, o auxiliar é 59.236 das 98.270 (60,3%, mediana de R$ 1.850,00).

O piso do magistério é valor de lei, não mediana

A Lei 11.738/2008, art. 2º, na redação da Lei 15.437/2026 (DOU de 19/06/2026), fixa o piso salarial profissional nacional do magistério público da educação básica em R$ 5.130,63 mensais, para a formação em nível médio, na modalidade normal. Pelo § 1º, o vencimento inicial das carreiras não pode ser fixado abaixo dele, para jornada de no máximo 40 horas semanais; pelo § 3º, o das demais jornadas tem de ser ao menos proporcional. A Portaria MEC 82/2026 divulgou o valor para o exercício de 2026, com efeitos financeiros desde 1º de janeiro. O de 2025, R$ 4.867,77, está na Portaria MEC 77/2025.

O piso é uma regra sobre vencimento inicial, e nenhum dos três números acima é ele. Nas admissões para 40 horas da educação básica, o valor mais repetido de agosto a dezembro de 2025 era R$ 4.867,77: 1.975 de 10.354 (19,1%), nenhuma em R$ 5.130,63. De janeiro a julho de 2026, era R$ 5.130,63: 2.977 de 24.606 (12,1%), contra 230 em R$ 4.867,77 (0,9%).

O arquivo não diz por que esses contratos têm esses valores; por isso não os ligamos aos valores de lei. Dos 2.977 contratos de 40 horas em R$ 5.130,63, 83,3% são de empregadores que declaram educação infantil (creche), e o corte do site, que tira quem declara administração pública, não separa escola pública de privada.

O que o dado não diz

  • Não diz por quê. Nenhuma fonte explica a causa de um valor.
  • Lado público parcial. O federal é só o Executivo civil; Judiciário, Legislativo, Ministério Público e militares ficam em outras fontes. O estadual é só de ativos e só o PEB II. A rede municipal de São Paulo está no post sobre o piso do magistério.
  • Admissão não é pessoa. Quem foi contratado duas vezes no período aparece duas vezes. E o CBO é o que o empregador declarou.
  • Quem entra e quem está. A folha mostra quem ocupa o cargo, em qualquer momento da carreira; o CAGED, só a entrada. Do lado público, o comparável seria o P10 ou o valor de entrada da carreira, nunca a mediana. No magistério superior em dedicação exclusiva, o P10 é R$ 13.753,96, que o post sobre editais de professor federal conferiu como remuneração de entrada do doutor. O CAGED não traz titulação, e essa conta não é feita aqui.
  • Nenhuma conta entre os lados. Não há diferença, razão nem “quem paga mais” em nenhum número desta página.

Como medimos

  • Estado de SP. A bruta estadual soma férias, 13º, eventuais e outras parcelas; por isso não é o salário do mês. O post do piso usou uma amostra de 600 registros (235 em 40 horas) e chegou a R$ 7.869,69 nas 40 horas do PEB II; os R$ 7.869,49 daqui são da população do mês, com a jornada do CSV.
  • Carteira assinada. Fica fora o empregador público (seção O da CNAE). Antes do corte, ele respondia por 19,2% das admissões de 40 horas da educação básica.
  • A hora paga. No layout do MTE, o campo é “salário mensal declarado”. Em 124.970 das 124.994 linhas por hora dos CBOs de professor (mesmo corte, todas as jornadas), o salário é o valor da hora vezes as horas semanais vezes 5, com tolerância de 0,01 na razão; nas 24 restantes fica perto de 5. A conta é nossa, conferida nos arquivos de movimentação; o MTE não a publica.

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