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Reajuste do servidor federal em 2027: de que salário parte a conversa

Equipe Ganha Quantodado de agosto/2026 (março/2026 só para comparação)

Reajuste do servidor federal em 2027: de que salário parte a conversa

Vai ter reajuste para o servidor federal em 2027? Ainda não há índice nem data. O projeto de Orçamento de 2027, enviado ao Congresso em 31 de agosto de 2026, prevê R$ 9,1 bilhões para aumentos de remuneração e mudanças de carreira no Poder Executivo. A mensagem do governo que acompanha o projeto diz que o uso desse dinheiro e a definição dos parâmetros “deverão ser avaliadas pelo próximo Governo”.

Previsto no projeto de Orçamento de 2027 para aumentos no Executivo
R$ 9,1 bi
Índice e data do reajuste de 2027, até 16/10/2026
não definidos
Mediana da remuneração bruta do Executivo federal civil, ago/2026
R$ 13.753,96

Dados oficiais dos portais de transparência, organizados pelo Ganha Quanto. Consultar a base →

Enquanto isso, a folha mostra de onde a conversa parte. Em agosto de 2026, o Executivo federal civil teve 516.754 contracheques, e a mediana da remuneração bruta foi de R$ 13.753,96: metade recebeu esse valor ou menos. A parcela de reajuste de abril de 2026 já está dentro desse número. O dado é do Portal da Transparência (servidores do SIAPE); o Judiciário, o Legislativo, o Ministério Público e os militares ficam em outros arquivos e não entram aqui.

O que o projeto de Orçamento de 2027 diz sobre reajuste

O projeto de lei orçamentária de 2027 (PLN 24/2026) tem um anexo que autoriza gastos novos com pessoal. Para o Poder Executivo, a linha de vantagens, aumentos de remuneração e mudanças de carreira soma R$ 9,1 bilhões, segundo o informativo das consultorias de orçamento da Câmara e do Senado.

Dinheiro previsto não é reajuste concedido. A Mensagem Presidencial do projeto, no capítulo sobre pessoal, diz três coisas:

  • o orçamento “contempla montantes destinados para eventual recomposição remuneratória dos servidores públicos federais”;
  • os reajustes previstos para 2027 têm “índice e data de aplicação” que “ainda não foram definidos”;
  • por isso, a proposta “não contempla a revisão geral” anual, aquela que valeria para todos em janeiro, sem distinção de índice.

Para virar aumento no contracheque, o valor ainda depende de o Congresso aprovar o Orçamento e de uma lei que fixe as novas tabelas, como exige o art. 37, X, da Constituição. Até 16/10/2026, quando consultamos, não encontramos lei, medida provisória ou projeto com índice para o Executivo em 2027.

Um limite para a folha inteira, não para o seu salário

Há uma regra fiscal no caminho. O art. 6º-A da Lei Complementar 200/2023, incluído pela Lei Complementar 211/2024, diz que, depois de apurado déficit primário do governo central, o orçamento do ano seguinte à apuração não pode programar crescimento real da despesa com pessoal acima de 0,6% ao ano. A trava vale até 2030, enquanto não houver superávit. O Banco Central divulgou o déficit de 2025 em 30 de janeiro de 2026, e a Mensagem conclui que a regra se aplica ao Orçamento de 2027.

O limite é do montante de cada Poder. Na mesma conta entram concursos, progressões e reajustes: a Mensagem lista os três entre o que faz a despesa de 2027 crescer. Para o Executivo (sem o Fundo Constitucional do DF), a Mensagem calcula o limite de 2027 em R$ 369,5 bilhões, e o projeto programa R$ 361,5 bilhões.

Esse percentual não diz quanto o seu salário vai subir. Não existe índice, e o limite não é aplicado pessoa a pessoa.

O ciclo de 2025 e 2026 já está na folha de agosto

A própria Mensagem resume o ciclo anterior. A Lei 15.141/2025 e a Lei 15.167/2025 deram reajustes com parcelas em 2025 e 2026, e a Lei 14.875/2024, a outras carreiras, com parcelas até 2026. A última parcela da Lei 15.141 entrou em abril de 2026. Em 2026 vieram também leis próprias de algumas carreiras, como a Lei 15.367/2026, que mudou a tabela de vencimento dos auditores-fiscais a partir de abril.

Na folha, a troca aparece onde a maioria recebe exatamente o mesmo valor:

  • agente de combate às endemias (Lei 15.141): o valor mais comum passou de R$ 7.005,97 em março para R$ 7.356,27 em agosto, 5,0% a mais;
  • procurador federal e advogado da União (Lei 15.141): de R$ 32.439,52 para R$ 35.423,96, 9,2% a mais;
  • auditor-fiscal da Receita e do Trabalho (Lei 15.367): de R$ 41.260,95 para R$ 44.004,91, 6,7% a mais.

Nesses cinco cargos, ninguém continuou no valor de março em agosto. Quem teve reajuste em 2026 está no post quem teve reajuste em 2026, e como ele chegou ao contracheque, no post sobre o reajuste de abril no contracheque federal. Este é o passo seguinte: o ciclo de 2025 e 2026 está pago, e o de 2027 ainda não começou.

De que patamar cada carreira parte

A tabela mostra a remuneração bruta de agosto de 2026 em 13 carreiras do Executivo federal civil, todas com mais de mil servidores. A segunda coluna de valores é a mediana; a primeira mostra a ponta de baixo.

Cargo (Executivo federal civil) Servidores Pelo menos 1 em 10 recebe isto ou menos Mediana Da mediana até o teto
Agente de Combate às Endemias 3.919 R$ 7.356,27 R$ 7.356,27 R$ 39.009,92
Assistente em Administração 34.136 R$ 4.481,89 R$ 7.878,28 R$ 38.487,91
Técnico do Seguro Social (INSS) 13.507 R$ 8.120,26 R$ 11.677,12 R$ 34.689,07
Analista do Seguro Social (INSS) 4.204 R$ 13.619,84 R$ 16.770,19 R$ 29.596,00
Analista Ambiental 3.604 R$ 10.899,20 R$ 19.270,50 R$ 27.095,69
Professor do Magistério Superior 87.961 R$ 11.527,73 R$ 20.674,61 R$ 25.691,58
Professor do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico 50.706 R$ 13.753,96 R$ 20.674,61 R$ 25.691,58
Analista Tributário da Receita Federal 6.144 R$ 21.475,57 R$ 26.276,60 R$ 20.089,59
Advogado da União 1.847 R$ 31.327,92 R$ 35.423,96 R$ 10.942,23
Procurador Federal 3.595 R$ 35.423,96 R$ 35.423,96 R$ 10.942,23
Auditor Federal de Finanças e Controle 2.501 R$ 29.352,48 R$ 36.694,00 R$ 9.672,19
Auditor Fiscal do Trabalho 2.594 R$ 22.921,71 R$ 44.004,91 R$ 2.361,28
Auditor-Fiscal da Receita Federal 6.601 R$ 44.004,91 R$ 44.004,91 R$ 2.361,28

Remuneração bruta, agosto de 2026. As páginas linkadas reúnem cargos parecidos e podem mostrar outra mediana.

Repare nas linhas em que a ponta de baixo e a mediana são iguais. Ali a mediana caiu num mesmo valor que a maioria recebe: 96,5% dos agentes de combate às endemias, 72,8% dos procuradores federais e 57,3% dos auditores-fiscais da Receita recebem exatamente esse valor. Nos professores, só 6,1% (Magistério Superior) e 9,1% (Ensino Básico, Técnico e Tecnológico) recebem exatamente o valor da mediana.

Perto do teto, a distância é curta

A última coluna mede quanto falta da mediana até o teto do funcionalismo, de R$ 46.366,19. Ele não sobe junto com as tabelas do Executivo: é o subsídio de ministro do STF, fixado pela Lei 14.520/2023 e em vigor desde 1º de fevereiro de 2025.

No auditor-fiscal da Receita e no do Trabalho, a mediana está a R$ 2.361,28 do teto. No procurador federal e no advogado da União, a R$ 10.942,23. Na base da tabela, a distância passa de R$ 38 mil. O que passa do teto é cortado no contracheque pelo abate-teto, como mostra o post sobre o abate-teto na folha federal.

O que o dado não diz

  • Quanto será o reajuste de 2027. Não há índice. Nenhum número deste texto é previsão.
  • Quanto cada servidor recebe. A tabela compara o conjunto de cada cargo, não segue pessoas. A posição na carreira muda o valor de cada um.
  • De que é feita a bruta. O Portal publica o total, não as parcelas (vencimento, gratificação, adicionais). A distância entre a ponta de baixo e a mediana não diz se é tempo de casa, titulação ou função.
  • O que vale fora do Executivo civil. Judiciário, Legislativo, Ministério Público, Defensoria e militares têm leis e arquivos próprios.

Para que serve este número

Se você está estudando para um concurso federal, use a tabela como o salário de hoje, já com a parcela de abril de 2026, e não como o de 2027. O valor de entrada está no edital; a tabela mostra quanto recebe quem já está no cargo, da ponta de baixo ao meio. Se você já é servidor, a sua linha mostra de onde a negociação parte. Para conferir outro cargo ou órgão, use a busca de remuneração de servidores públicos ou o painel do Executivo federal.

Como medimos

Usamos a remuneração bruta dos servidores do Executivo federal civil no Portal da Transparência (arquivo do SIAPE), em agosto de 2026, só contracheques com bruta acima de zero (514.505 dos 516.754). A comparação com março de 2026 usa a mesma regra. O banco não tem abril nem maio. A bruta federal não inclui 13º, férias e outros pagamentos eventuais, que ficam em colunas próprias; mesmo assim, separando quem recebeu eventuais no mês, a mediana não muda nos agentes de combate às endemias, no técnico e no analista do Seguro Social, no analista tributário, no advogado da União, no procurador federal, no auditor federal de finanças e controle e nos auditores-fiscais; nos professores, no assistente em administração e no analista ambiental, ela muda. Usamos mediana, e não média, porque poucos valores altos puxam a média. A metodologia explica o resto.

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