Reajustes e Carreira Pública

O reajuste de 2026, cargo a cargo

Autor Equipe Ganha QuantoPublicado Dado de março e julho/2026Fonte Portal da Transparência do Governo Federal — Servidores SIAPE, Executivo federal civil, mar e jul/2026, contracheques sem remuneração eventual; tabelas da Lei 15.141/2025

O reajuste de 2026, cargo a cargo

Entre março e julho de 2026, o valor mais comum da remuneração bruta subiu de 3,5% a 11,4% em 48 dos 53 cargos federais que têm, nos dois meses, pelo menos 100 servidores e pelo menos 20% deles nesse valor. Em 27 desses cargos, os dois valores são exatamente os da tabela da Lei 15.141/2025 antes e depois de 1º de abril de 2026, data em que a nova tabela entrou em vigor. É o caso dos procuradores e advogados da União (9,2%) e do Auditor Federal de Finanças e Controle (10,9%). Nos demais cargos, a conferência com a norma foi parcial ou não foi feita. O banco não tem abril e maio, então o dado não mostra o mês exato da mudança: quem diz abril é a lei, e só para os cargos conferidos.

Entrada do professor federal na tabela (DE, doutorado)
+3,5%
Cargos grandes com alta do valor mais comum entre 3,5% e 11,4%
48 de 53
Técnico-administrativo das federais, 1º padrão do nível D
+5,0%

Dado extraído da nossa base de remuneração, montada a partir dos portais oficiais de transparência. Consultar a base →

Como a comparação foi feita

O recorte é o Executivo federal civil, no arquivo de servidores do SIAPE publicado pelo Portal da Transparência. Março é o último mês antes de 1º de abril, e julho, um mês posterior a essa data. Junho também é posterior e não acrescenta nada à comparação. É ainda o mês do adiantamento do 13º, que o portal publica em coluna própria, fora da remuneração bruta.

Saíram os contracheques com qualquer remuneração eventual no mês (férias, 13º, acertos). Sobraram 319.582 em março e 328.421 em julho.

O post compara as distribuições dos dois meses, sem seguir cada servidor. A comparação usa valores exatos de tabela, que milhares de servidores recebem ao centavo, e confere cada um com a lei.

A varredura: 48 de 53 cargos entre 3,5% e 11,4%

O critério: todo cargo com pelo menos 100 servidores no recorte nos dois meses e com pelo menos 20% deles no valor mais comum, em março e em julho. Passam 53 cargos. Em 48, a alta desse valor ficou entre 3,5% e 11,4%. O extremo de cima é o Técnico Federal de Finanças e Controle (R$ 15.189,85 → R$ 16.914,70), valor exato da tabela da carreira. Dois ficaram em 0,0%: os registros de médico do Programa Mais Médicos e o Terceiro Secretário da carreira diplomática. Outros três tiveram altas de 12,7% a 119,3%, que não apuramos.

Em 27 dos 53 cargos, o par de valores de março e julho aparece exatamente assim numa tabela da Lei 15.141/2025. São 10 pares distintos, porque várias carreiras dividem a mesma tabela. Entre os que não batem estão os auditores-fiscais da Receita Federal e do Trabalho, cujos valores não constam da lei.

Esse intervalo não é o mesmo do post sobre quem teve reajuste em 2026. Lá, os 3,5% a 8,2% vêm das tabelas da lei de três planos (PGPE, técnicos das universidades e professores), sem as carreiras de subsídio. Aqui, os 3,5% a 11,4% medem o valor mais comum da bruta na folha, incluindo essas carreiras.

A tabela abaixo é uma seleção feita à mão entre esses 53, para mostrar tipos diferentes de tabela (subsídio, gratificação por pontos, vencimento), mais o Mais Médicos.

Cargo Contracheques (jul) Mar/2026 Jul/2026 Variação Na lei
Médico (Programa Mais Médicos), registros 23.765 R$ 14.121,63 R$ 14.121,63 0,0% não está nas tabelas
Agente de Combate às Endemias 3.170 R$ 7.005,97 R$ 7.356,27 5,0% as 20 linhas do vencimento e a gratificação subiram 5,0%
Técnico do Seguro Social 6.797 R$ 11.080,12 R$ 11.677,12 5,4% diferença igual à da GDASS (ver abaixo)
Analista do Seguro Social 2.933 R$ 15.890,19 R$ 16.770,19 5,5% diferença igual à da GDASS
Especialista em Regulação e Vigilância Sanitária (Anvisa) 747 R$ 26.962,70 R$ 29.119,71 8,0% valor exato, Especial V
Procurador Federal 2.930 R$ 32.439,52 R$ 35.423,96 9,2% valor exato, Categoria Especial
Procurador da Fazenda Nacional 1.830 R$ 32.439,52 R$ 35.423,96 9,2% valor exato, Categoria Especial
Advogado da União 1.507 R$ 32.439,52 R$ 35.423,96 9,2% valor exato, Categoria Especial
Auditor Federal de Finanças e Controle 1.876 R$ 33.086,10 R$ 36.694,00 10,9% valor exato, Especial V
Auditor Fiscal Federal Agropecuário 1.572 R$ 24.632,19 R$ 27.318,42 10,9% valor exato, Especial V

Nas carreiras pagas por subsídio (as seis últimas linhas), o valor mais comum é o próprio valor da tabela. O de março é o da coluna em vigor antes de abril, e o de julho, o da coluna “a partir de 1º de abril de 2026”. Nos 19 valores conferidos um a um, só um contracheque de julho, de Técnico do Seguro Social, continuou no valor de março. Os registros do Mais Médicos são outro caso: o valor não mudou.

Professores: 3,5% na entrada, 6,1% no topo

O acordo com os docentes costuma ser resumido como 3,5% em abril, mas isso descreve só a primeira linha da tabela. No anexo LXXIX da lei, o vencimento básico em dedicação exclusiva sobe 3,5% no Assistente A1 e 6,1% no Associado 4 e no Titular. As linhas do meio ficam entre esses dois números. A folha mostra exatamente isso:

Posição na tabela (DE, doutorado) Mar/2026 Jul/2026 Variação Contracheques no valor (mar / jul)
Magistério Superior, entrada (A1) R$ 13.288,85 R$ 13.753,96 3,5% 5.104 / 5.070
Magistério Superior, Associado 4 R$ 22.547,81 R$ 23.933,44 6,1% 4.949 / 4.711
Magistério Superior, Titular R$ 24.802,62 R$ 26.326,81 6,1% 3.447 / 3.738
Ensino Básico, Técnico e Tecnológico, entrada R$ 13.288,85 R$ 13.753,96 3,5% 1.988 / 2.069
Ensino Básico, Técnico e Tecnológico, Titular R$ 24.802,62 R$ 26.326,81 6,1% 2.262 / 2.425

Cada valor é a soma de duas células da lei, o vencimento básico e a retribuição por titulação de doutorado. Na entrada, R$ 6.397,19 + R$ 7.356,77 = R$ 13.753,96. Para o professor, não há um “valor mais comum” estável: no Magistério Superior, duas dessas posições disputam o primeiro lugar quase empatadas, e qual delas vence muda conforme o filtro. Por isso a leitura é por posição, e não por moda.

Técnicos das universidades e PGPE: 5% no primeiro degrau, mais no topo

O mesmo desenho aparece nos técnico-administrativos das instituições federais de ensino. No nível D, o de Assistente em Administração, o padrão 1 subiu de R$ 3.029,90 para R$ 3.181,39, alta de 5,0%. Há 230 contracheques com esse valor exato em março e 174 em julho. A alta cresce padrão a padrão até o 19, o último, que subiu 6,8%.

O valor mais comum do cargo foi de R$ 6.820,84 para R$ 7.258,90 (+6,4%), a mesma alta do padrão 15. Os dois valores são 1,3 vez o vencimento desse padrão antes e depois de abril, com arredondamento ao centavo. A lei prevê incentivo à qualificação de 30% para especialização, mas a folha não separa as parcelas: é uma conta que fecha, não uma composição comprovada.

No PGPE, o plano geral dos servidores administrativos, a tabela de vencimento de nível superior sobe 5,0% na classe A, padrão I, e 8,2% na Especial V. Já o ponto da gratificação de desempenho sobe 5,0% nas duas posições.

Essa escada, em que a alta cresce da entrada para o topo, aparece no vencimento dos docentes, do PCCTAE e do PGPE. Aparece também no subsídio do Auditor Fiscal Federal Agropecuário, e lá nem sempre cresce: a classe A, padrão I, subiu 3,6%, a B II, 1,3%, e a Especial V, 10,9%. Nas outras tabelas conferidas, a alta é a mesma em todas as linhas checadas. Nos subsídios, as carreiras jurídicas tiveram 9,2%, Finanças e Controle 10,9% (auditor) e 11,4% (técnico), e a Regulação 8,0%. O combate às endemias teve 5,0%, e o ponto da GDASS de nível superior, 7,5%.

INSS: o vencimento não mudou, a gratificação sim

Na Carreira do Seguro Social, a lei repete em abril de 2026 o mesmo vencimento básico de 2025. Quem mudou foi o ponto da gratificação de desempenho (GDASS): no padrão mais alto do nível intermediário, 40 horas, foi de R$ 79,57 para R$ 85,54.

O valor mais comum do Técnico do Seguro Social subiu R$ 597,00, exatamente 100 vezes esse aumento do ponto. No Analista, subiu R$ 880,00, 100 vezes o aumento do ponto de nível superior na mesma posição (de R$ 117,31 para R$ 126,11). O arquivo público não mostra quantos pontos cada servidor recebe.

Por que não usar a mediana

No Magistério Superior, a mediana subiu 8,3% entre março e julho, acima da maior alta do vencimento básico (6,1%).

Uma mediana depende de quantas pessoas estão em cada degrau em cada mês, e isso muda com posse, aposentadoria, progressão e férias. Comparar o valor de uma mesma linha da tabela evita esse problema.

O que o dado não diz

  • Quando exatamente mudou. O banco tem março, junho e julho de 2026, sem abril e maio.
  • Quanto cada servidor ganhou. Este levantamento compara distribuições e não segue pessoas. A variação de cada um depende da posição na tabela, e uma progressão no período se soma ao reajuste.
  • De que é feita a bruta. A folha publica o total, não as parcelas. As somas acima fecham com a lei, mas o arquivo não confirma a composição de cada contracheque.
  • Por que alguns cargos fogem do padrão. Os auditores-fiscais da Receita Federal e do Trabalho também mudaram de valor mais comum (6,7%), mas os valores deles não estão nas tabelas da Lei 15.141/2025. Os registros do Mais Médicos não mudaram, e três cargos da varredura subiram de 12,7% a 119,3%. Não apuramos a regra de nenhum desses casos.
  • O resto do serviço público. Judiciário, Legislativo e Ministério Público da União publicam em portais próprios. Os militares estão em outro arquivo do Portal da Transparência, que não usamos aqui. Estados e municípios têm tabelas próprias.

A mediana de cada cargo e órgão federal está nas páginas de remuneração do Executivo federal, por exemplo na do INSS e na da AGU. O topo da tabela está no post sobre os cargos mais bem pagos do governo federal, e o seu cargo você encontra na busca de remuneração.

Consulte a remuneração você mesmo

Os números deste texto saem da mesma base que alimenta a busca do site — dado oficial, com o mês de referência sempre declarado.

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