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O novo salário mínimo e o chão do funcionalismo público

Autor Equipe Ganha QuantoPublicado Dado de julho/2026Fonte Portal da Transparência do Governo Federal (SIAPE) e Portal da Transparência do Estado de São Paulo — remuneração bruta

O novo salário mínimo e o chão do funcionalismo público

Desde 1º de janeiro de 2026, o salário mínimo nacional é R$ 1.621,00 — R$ 54,04 por dia, R$ 7,37 por hora, fixados pelo Decreto nº 12.797, de 23 de dezembro de 2025, publicado no Diário Oficial da União em 24 de dezembro de 2025. Era R$ 1.518,00 em 2025: um reajuste de 6,79%. No nosso banco de remuneração de servidores, jornada cheia, o cargo mais barato do Executivo federal em julho de 2026 tinha mediana de R$ 1.870,00 — só 1,15 vez o novo mínimo.

Salário mínimo nacional (2026)
R$ 1.621,00
Cargo federal mais barato (jul/2026)
R$ 1.870,00
Distância até o topo do federal
27,1 vezes

Dado extraído da nossa base de remuneração, montada a partir dos portais oficiais de transparência. Consultar a base →

O mínimo não é o piso de quase ninguém no funcionalismo

O salário mínimo é referência para o BPC/LOAS e para o piso do INSS, mas quase não aparece como remuneração de servidor. No Executivo federal, de 513.060 contracheques com remuneração bruta em julho de 2026, 2.359 (0,46%) ficaram abaixo de R$ 1.621. No Estado de São Paulo, entre servidores ativos, foram 20.609 de 508.922 (4,05%).

Não cruzamos esses contracheques com cargo para saber exatamente quem são. O que dá para afirmar, olhando cargo a cargo com pelo menos 100 servidores (a seguir): nenhuma carreira efetiva de jornada cheia tem mediana perto desse valor — o mais barato do recorte já fica 15% acima do mínimo.

O cargo mais barato do federal, cargo a cargo

Olhando só cargos com pelo menos 100 servidores (a régua de todo ranking deste site), estes são os de menor mediana no Executivo federal em julho de 2026:

Cargo Órgão predominante Jornada Servidores Mediana
Atividade de Suporte, Manutenção Hospitalar (nível intermediário, 24h) Ministério da Saúde 24h semanais 114 R$ 1.870,00
Atividade de Suporte, Manutenção Hospitalar (nível intermediário, 40h) Ministério da Saúde 40h semanais 232 R$ 1.870,00
Auxiliar de Proteção Etnoambiental FUNAI 40h semanais 325 R$ 2.120,75
Agente de Pesquisas e Mapeamento IBGE 40h semanais 4.052 R$ 2.676,24
Contratado, Lei 8.745/1993 (temporário) IBGE 40h semanais 3.205 R$ 2.676,24

O mais barato de todos, mesmo em jornada cheia de 40 horas, é o suporte de manutenção hospitalar do Ministério da Saúde: mediana de R$ 1.870,00, 1,15 vez o novo salário mínimo. É o único cargo do recorte cuja mediana fica abaixo de R$ 2.000 — não apuramos se é cargo efetivo de carreira em extinção ou vínculo de outra natureza, só que é o nome que consta na folha do SIAPE para esse grupo.

Logo depois vêm cargos que já mudam de natureza: agente de pesquisas e mapeamento é o pessoal contratado pelo IBGE para o Censo e outras pesquisas, e a linha “Contratado, Lei 8.745/1993” é, pela própria lei, contratação temporária — nenhum dos dois é carreira efetiva de concurso permanente.

A mesma pergunta no Estado de São Paulo

Entre servidores ativos do Estado de SP, os registros de menor mediana em julho de 2026 incluem aprendiz (R$ 518,72), a categoria da folha “Outros Vínculos” (11.322 registros, mediana R$ 614,72 — não apuramos o que a Fazenda de SP classifica sob esse rótulo, por isso não entra como cargo no ranking abaixo), médico residente (R$ 625,44) e estagiário (R$ 1.400,00) — os três últimos não são cargo efetivo remunerado como carreira. Tirando essas categorias, a menor mediana de um cargo com pelo menos 100 pessoas é Brigadista Nível II, com R$ 2.431,50 — 1,50 vez o novo mínimo.

Cargo Servidores Mediana Vezes o mínimo (R$ 1.621)
Brigadista Nível II 160 R$ 2.431,50 1,50
Agente Técnico e Administrativo 1.559 R$ 2.822,37 1,74
Oficial Estadual de Trânsito I 184 R$ 2.926,44 1,81
Auxiliar de Docente 1.075 R$ 3.126,51 1,93
Agente de Organização Escolar 38.135 R$ 3.166,21 1,95

O maior desses grupos de longe é Agente de Organização Escolar, com 38.135 servidores — a categoria de apoio administrativo das escolas estaduais.

A distância até o topo

No topo de cada esfera, a distância até o mínimo é enorme. No Executivo federal, auditor-fiscal da Receita Federal e auditor fiscal do Trabalho têm mediana de R$ 44.004,91 — 27,1 vezes o novo salário mínimo, e 23,5 vezes o próprio cargo mais barato do federal (R$ 1.870,00). No Estado de São Paulo, o topo da carreira de Procurador do Estado (Nível V) chega a R$ 70.077,94 — 43,2 vezes o mínimo nacional, e 28,8 vezes o Brigadista Nível II.

Mediana Vezes o salário mínimo (R$ 1.621)
Cargo mais barato, federal (jornada 40h) R$ 1.870,00 1,15×
Mediana geral, Executivo federal R$ 13.730,20 8,47×
Topo do federal (auditor-fiscal) R$ 44.004,91 27,1×
Cargo mais barato, Estado de SP (carreira efetiva) R$ 2.431,50 1,50×
Mediana geral, Estado de SP (ativos) R$ 7.496,24 4,62×
Topo do Estado de SP (Procurador Nível V) R$ 70.077,94 43,2×

O que este número não é

Este post compara remuneração bruta de servidor com o salário mínimo nacional — não com salário de admissão do setor privado (CLT), que é outro dado, medido de outro jeito (o Novo CAGED, salário contratual de admissão), e não entra aqui. Comparar mediana de carreira pública com mediana de admissão CLT mistura porta de entrada com meio de carreira; não é o que este texto faz.

A remuneração bruta federal não inclui os auxílios pagos por fora (alimentação, transporte), que o Portal da Transparência publica em coluna própria — quem está na base da tabela recebe também isso, por fora do valor mostrado aqui. A remuneração bruta do Estado de SP já soma parcelas do mês (férias, 13º, eventuais, indenizações), o que pode distorcer a mediana de cargos pequenos num mês com pagamentos atípicos — não apuramos se é o caso dos cargos desta lista.

Este ranking cobre só o Executivo federal (SIAPE) e o Estado de São Paulo — nenhum outro estado, nem municípios, nem Judiciário, Legislativo, Ministério Público ou militares, que publicam em portais próprios.

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Os números deste texto saem da mesma base que alimenta a busca do site — dado oficial, com o mês de referência sempre declarado.

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