Carteira Assinada

Fisioterapeuta: a admissão de 21 a 30h varia 219% entre os estados

Autor Equipe Ganha QuantoPublicado Dado de agosto/2025 a julho/2026Fonte Microdados do Novo CAGED — MTE/PDET — admissões de ago/2025 a jul/2026, fisioterapeuta, jornada contratada de 21 a 30 horas

Fisioterapeuta: a admissão de 21 a 30h varia 219% entre os estados

Entre agosto de 2025 e julho de 2026, quem foi admitido com carteira assinada como fisioterapeuta em Pernambuco, numa jornada contratada de 21 a 30 horas semanais, entrou com salário mediano de R$ 1.963,85. Na mesma jornada, no Distrito Federal, a mediana de admissão foi de R$ 6.264,48 — 219,0% a mais, ou 3,19 vezes. São 636 admissões de um lado e 686 do outro, nos microdados do Novo CAGED. É a maior distância entre estados das 22 profissões que este site consegue medir em /salarios/.

Admissão em PE, 21 a 30h
R$ 1.963,85
Admissão no DF, 21 a 30h
R$ 6.264,48
Brasil, mesma jornada
R$ 3.449,84

Dado extraído dos microdados do Novo CAGED, do Ministério do Trabalho e Emprego. Ver as profissões →

Antes do estado, a jornada

Fisioterapeuta é uma das três ocupações, entre as 23 do site, em que a jornada mais contratada é a de 21 a 30 horas semanais — as outras duas são assistente social e psicólogo; em 16 das 23 a banda predominante é a de 41 a 44 horas. Das 16.784 admissões de fisioterapeuta na janela, 10.625 (63,3%) foram de 21 a 30 horas, e nessa banda a mediana no Brasil é de R$ 3.449,84.

É nela que o post trabalha do começo ao fim: misturar jornadas é comparar populações diferentes, como mostrou o post sobre 40h e 41 a 44h.

Os 16 estados que têm número publicável

Um estado só ganha número publicado com pelo menos 100 admissões — a mesma régua das páginas de estado. Dezesseis passam nesse corte na banda de 21 a 30 horas, e reúnem 10.096 das 10.625 admissões do país nessa banda (95,0%).

Estado Admissões (21 a 30h) Mediana de admissão (21 a 30h) Distância para o Brasil
Pernambuco 636 R$ 1.963,85 -43,1%
Maranhão 230 R$ 2.160,00 -37,4%
Mato Grosso do Sul 130 R$ 3.000,00 -13,0%
Bahia 810 R$ 3.125,02 -9,4%
Goiás 393 R$ 3.125,48 -9,4%
Minas Gerais 1.060 R$ 3.164,33 -8,3%
Santa Catarina 482 R$ 3.168,19 -8,2%
Rio Grande do Sul 574 R$ 3.268,30 -5,3%
Espírito Santo 292 R$ 3.292,38 -4,6%
Pará 150 R$ 3.297,11 -4,4%
Rio de Janeiro 1.221 R$ 3.300,00 -4,3%
Paraná 349 R$ 3.535,00 +2,5%
Mato Grosso 198 R$ 3.546,68 +2,8%
Ceará 247 R$ 3.941,97 +14,3%
São Paulo 2.638 R$ 4.212,80 +22,1%
Distrito Federal 686 R$ 6.264,48 +81,6%

Onze dos dezesseis ficam entre R$ 3.000 e R$ 3.600 na banda de 21 a 30 horas: a distância de 219% não descreve o miolo da tabela, e sim as duas pontas — cada uma com uma história própria.

Metade do Distrito Federal cabe num valor só

Na banda de 21 a 30 horas, 49,4% das 686 admissões de fisioterapeuta no Distrito Federal saíram por exatamente R$ 6.264,48. Não “em torno de”: o mesmo centavo, quase metade das vezes. É por isso que a mediana, o percentil 75 e o percentil 90 do estado nessa banda pousam todos no mesmo número — e é por isso que a página do DF avisa, abaixo da tabela de jornada, que ali “os percentis descrevem menos a variação do salário e mais a concentração num número só”.

Por baixo do bloco, o DF é outro estado: ainda em 21 a 30 horas, o percentil 25 é de R$ 2.509,90 e a média, R$ 4.708,36. Pernambuco repete o desenho na ponta oposta, em escala menor — das 636 admissões de 21 a 30 horas, 29,7% saíram por exatamente R$ 1.963,85, e os percentis 10 e 25 ficam ambos em R$ 1.907,84.

Nos dois estados, o número é uma mediana que caiu em cima de um valor muito repetido. O dado mostra a repetição; ele não diz o que a produz. Piso de categoria, acordo coletivo ou um contratante grande produziriam esse desenho, e testar qual exigiria o que este post não tem: o arquivo que usamos é a versão não identificada do Ministério do Trabalho, sem empregador, e a variável do microdado que falaria com a hipótese — a faixa de tamanho do estabelecimento — não está na tabela agregada do site.

A ponta de baixo é firme; a de cima troca de dono

Na banda de 21 a 30 horas, Pernambuco é o mais baixo dos dezesseis em cinco das seis medidas que guardamos: percentil 25, mediana, percentil 75, percentil 90 e média. A exceção é o percentil 10, em que Mato Grosso do Sul (R$ 1.825,00) fica abaixo de Pernambuco (R$ 1.907,84). A ponta de baixo quase não depende do recorte.

A de cima depende, e muito. Ainda em 21 a 30 horas, cada medida põe um estado diferente no topo — e muda o tamanho da distância entre as pontas:

Medida Estado mais alto Estado mais baixo Amplitude
Percentil 25 São Paulo, R$ 3.686,21 Pernambuco, R$ 1.907,84 93,2%
Mediana Distrito Federal, R$ 6.264,48 Pernambuco, R$ 1.963,85 219,0%
Média Rio de Janeiro, R$ 7.246,56 Pernambuco, R$ 2.139,73 238,7%

Duas leituras saem daí, e é fácil trocá-las. A primeira é o par Distrito Federal × Pernambuco, que encolhe: pela média, na mesma banda, o DF paga 120,0% mais que Pernambuco, e não 219,0%, porque deixa de liderar e cai para terceiro (R$ 4.708,36) — e para 10º de 16 no percentil 25.

A segunda é a distância entre as pontas, e essa não encolhe: pela média troca de dono e aumenta para 238,7%, com o Rio no topo; só pelo percentil 25 diminui de verdade, para 93,2%. Nas três a distância entre estados é grande; o que muda é quem lidera e por quanto.

Nenhuma das contas está errada. Usamos mediana no site inteiro porque ela resiste a valores extremos — a média do Rio, R$ 7.246,56 contra mediana de R$ 3.300,00 na mesma banda, mostra por quê. O preço aparece quando quase metade de um estado assina pelo mesmo valor: a mediana sobe até ele.

É a maior amplitude das 22 profissões medidas

Medindo cada profissão na sua banda predominante, e só com estados acima de 100 admissões, fisioterapeuta lidera:

Profissão Jornada Estados Menor Maior Amplitude
Fisioterapeuta 21 a 30h 16 R$ 1.963,85 R$ 6.264,48 219,0%
Enfermeiro 31 a 39h 24 R$ 3.018,60 R$ 8.869,86 193,8%
Farmacêutico 41 a 44h 27 R$ 2.448,66 R$ 6.412,73 161,9%
Engenheiro 41 a 44h 23 R$ 5.000,00 R$ 12.903,00 158,1%
Analista de TI 40h 16 R$ 4.123,18 R$ 9.941,66 141,1%

No outro extremo está o auxiliar de serviços gerais: na banda de 41 a 44 horas, a predominante dessa ocupação, a distância entre o menor e o maior dos 27 estados é de 16,6%. São 22 profissões nesta conta, e não as 23 do site: bibliotecário tem um estado só acima de 100 admissões na sua banda predominante, e sem duas pontas não há distância para medir.

O que o dado não diz

  • É salário de admissão, não o que a profissão ganha. O valor é a coluna salário do microdado — o salário mensal declarado pelo empregador na admissão, já mensalizado pela fonte. Não entram remuneração variável, comissão, hora extra, participação nos lucros nem benefício. E são admissões, não pessoas: quem foi contratado duas vezes conta duas vezes.
  • Onze estados não têm número. Dos 27, só 16 chegam a 100 admissões na banda de 21 a 30 horas; oito ficam abaixo do corte e três não aparecem.
  • O corte do empregador público é parcial. Sai quem declara atividade de administração pública (a seção O da classificação de atividades), mas empresa estatal continua na base, porque declara a atividade do seu setor — hospital, banco, correio. Pela mesma razão, um celetista contratado por hospital público cai em atividade de saúde e não sai com esse corte. Na banda de 21 a 30 horas ele tirou 8,5% das admissões do Rio, 5,9% das de Minas, 5,4% das do Paraná e 0,2% das de Pernambuco; nenhuma das do Distrito Federal, cuja nota de atividade, aliás, é de saúde.
  • A janela cruza a virada do salário mínimo, que passou a R$ 1.621,00 em 2026 pelo Decreto nº 12.797, de 23 de dezembro de 2025. Em ocupação presa a piso, isso põe dois pontos de massa na mesma distribuição. Aqui nenhuma das 16 medianas de 21 a 30 horas cai no mínimo — a mais baixa, a de Pernambuco, está 21,2% acima dele.
  • Isto não se compara com o lado público. A mediana de admissão é a porta de entrada; a da folha de um servidor é o meio da carreira. A página de fisioterapeuta no serviço público responde outra pergunta, e o post Duas medidas da mesma profissão explica por que os dois não se dividem um pelo outro.

Onde ver cada estado

Cada linha da primeira tabela tem página própria, e o que ela traz depende do corte de 100 admissões naquele estado. Dez das dezesseis mostram mais de uma banda de jornada — quatro no Rio e em São Paulo; nas outras seis (Bahia, DF, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará) a de 21 a 30 horas é a única. A capital vem em separado em doze; nas outras quatro não chega a 100 admissões. O ponto de partida é /salarios/fisioterapeuta/; para o serviço público, a busca de remuneração tem a folha dos portais oficiais.

Veja o salário por profissão

O salário de admissão com carteira assinada, por jornada, nas profissões que o site publica — da mesma apuração deste texto.

Ver as profissões