Público x Privado

Enfermeiro federal, estado por estado

Autor Equipe Ganha QuantoPublicado Dado de julho/2026 (folha federal) e agosto/2025 a julho/2026 (admissões CLT)Fonte Portal da Transparência do Governo Federal — SIAPE, jul/2026 (Executivo civil, arquivos de Remuneração e de Cadastro) — e Microdados do Novo CAGED — MTE/PDET, admissões de ago/2025 a jul/2026

Enfermeiro federal, estado por estado

Na folha de julho de 2026 do Executivo federal, a mediana da remuneração bruta do enfermeiro em jornada de 40 horas foi de R$ 18.253,11 no Pará e R$ 12.123,89 no Rio de Janeiro — R$ 6.129,22 de diferença entre as duas medianas: 50,6% a mais no Pará que no Rio. A lista de oito nomes de enfermeiro é a da página do cargo, e ela deixa de fora 995 registros do cargo ENFERMAGEM - MS - 40H NS, todos com contrato temporário, no Rio. Com eles, a mediana do Rio cai para R$ 11.001,56 e a diferença sobe para R$ 7.251,55: 65,9% a mais no Pará. Estado por estado, o contracheque difere.

Mediana da bruta, enfermeiro 40h, Pará
R$ 18.253,11
Mediana da bruta no Rio, sem temporários
R$ 12.123,89
Diferença entre as medianas da bruta
R$ 6.129,22

Dado extraído da nossa base: portais oficiais de transparência, no setor público, e microdados do Novo CAGED, no setor privado. Ver as profissões → · Consultar a base →

Vinte estados, ponta a ponta

São 5.063 registros de enfermeiro em 40 horas com bruta declarada em julho, nos oito nomes de cargo da página do cargo; 4.179 estão nos 20 estados com pelo menos 30 servidores, o mínimo das páginas de cargo.

Estado Servidores P25 Mediana
Pará 112 R$ 15.303,19 R$ 18.253,11
Rio Grande do Sul 260 R$ 14.497,29 R$ 16.561,49
Goiás 89 R$ 16.124,70 R$ 16.447,19
Rio Grande do Norte 110 R$ 15.020,86 R$ 16.372,64
Paraíba 109 R$ 15.049,72 R$ 16.339,69
Mato Grosso do Sul 70 R$ 13.426,44 R$ 16.097,31
Santa Catarina 140 R$ 13.974,74 R$ 16.097,31
Espírito Santo 50 R$ 14.248,06 R$ 16.097,31
Ceará 190 R$ 13.887,59 R$ 16.069,92
Minas Gerais 372 R$ 13.974,74 R$ 15.922,47
São Paulo 211 R$ 13.019,03 R$ 15.809,29
Sergipe 53 R$ 15.049,72 R$ 15.512,36
Bahia 137 R$ 13.913,65 R$ 15.479,71
Alagoas 55 R$ 12.627,26 R$ 15.190,76
Paraná 160 R$ 12.659,54 R$ 15.157,21
Maranhão 112 R$ 13.913,65 R$ 15.049,72
Pernambuco 163 R$ 13.340,62 R$ 15.049,72
Amazonas 44 R$ 13.340,62 R$ 14.829,02
Distrito Federal 143 R$ 11.344,19 R$ 12.859,89
Rio de Janeiro 1.599 R$ 11.163,68 R$ 12.123,89

Por que a jornada tem de estar fixada

Entre os enfermeiros que aparecem na folha de remuneração de julho, a jornada de 40 horas é 96,3% (5.063 de 5.255). Os outros 192 estão em quatro faixas pequenas: 110 em 36 horas, 47 em 20, 34 em 30 e uma com um registro só, cujo valor não publicamos. No cadastro do mesmo mês, porém, a jornada mais comum é a de 36 horas (seção abaixo).

A página do cargo soma todas as jornadas. Três recortes:

Recorte Pará Rio de Janeiro Pará a mais que o Rio
Todas as jornadas R$ 18.383,08 (113) R$ 12.075,19 (1.623) +52,2%
Só jornada de 40 horas R$ 18.253,11 (112) R$ 12.123,89 (1.599) +50,6%
40 horas e o mesmo nome de cargo R$ 18.489,65 (100) R$ 15.437,01 (555) +19,8%

A jornada quase não muda a distância; a terceira linha é que muda.

Metade da distância some ao fixar o nome — e o empregador junto

Nos oito nomes, em 40 horas, cinco rótulos têm registro, e dois concentram quase tudo: ENFERMEIRO-AREA, 3.316 servidores e R$ 16.069,38, e ENFERMEIRO, 1.713 e R$ 11.925,21 — 5.029 dos 5.063; os outros 34 estão em três rótulos menores. Os extremos têm composição quase invertida: no Pará, 100 dos 112 são ENFERMEIRO-AREA; no Rio, 1.038 dos 1.599 são ENFERMEIRO e 555 são ENFERMEIRO-AREA.

Comparando só ENFERMEIRO-AREA dos dois lados, a diferença cai de R$ 6.129,22 para R$ 3.052,64 — de 50,6% para 19,8% a mais no Pará. O resto continua de pé: só com ENFERMEIRO-AREA, a mediana vai de R$ 18.489,65 no Pará a R$ 14.829,02 no Amazonas, 24,7% de ponta a ponta.

Só que fixar o nome, neste cargo, é fixar o empregador. Dos 115 órgãos que usam um dos dois rótulos, 114 usam só um — a exceção é a UFRJ, com 387 de um nome e 4 do outro. 3.306 dos 3.316 ENFERMEIRO-AREA estão em universidade ou instituto federal; 1.709 dos 1.713 ENFERMEIRO estão fora do ensino. No Pará, 89 dos 112 estão na UFPA; no Rio, 976 dos 1.599 no Ministério da Saúde. A conta separa nome e empregador ao mesmo tempo: não dá para saber qual pesa.

O que fica fora do recorte: 995 temporários no Rio

A lista de oito nomes é a da página do cargo, e ela não inclui ENFERMAGEM - MS - 40H NS: 1.062 registros, todos em 40 horas e em “CONTRATO TEMPORARIO” no Ministério da Saúde, com mediana de R$ 4.668,18 — 995 no Rio, 67 sem UF, nenhum no Pará. O arquivo não descreve o cargo além do nome. Nos oito nomes, 1.707 dos 1.711 registros de Pará e Rio são “ATIVO PERMANENTE”. Com o rótulo, o Rio passa a ter 2.594 registros:

Recorte Pará Rio de Janeiro Pará a mais que o Rio
Os oito nomes (o recorte deste post) R$ 18.253,11 (112) R$ 12.123,89 (1.599) R$ 6.129,22 (+50,6%)
Com ENFERMAGEM - MS - 40H NS R$ 18.253,11 (112) R$ 11.001,56 (2.594) R$ 7.251,55 (+65,9%)

A mediana nacional de 40 horas, R$ 14.456,98 nos oito nomes, seria R$ 12.951,98. Mantivemos a lista da página do cargo e do post Duas medidas da mesma profissão; quem quiser contar os temporários lê o Rio pela segunda linha.

O maior empregador do cargo não está nesta conta

O cadastro do mesmo mês tem 16.838 ids com um dos oito nomes, e a jornada mais comum entre eles é a de 36 horas, com 11.598 (68,9%). Desses ids, 11.581 não têm linha no arquivo de remuneração — 2,2 vezes os 5.255 com remuneração bruta declarada, em todas as jornadas. Onde trabalham:

Órgão de exercício Enfermeiros sem remuneração publicada
Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) 9.261
Hospital Nossa Senhora da Conceição 1.449
Hospital de Clínicas de Porto Alegre 792
Outros 30 órgãos 79

As três primeiras são entidades hospitalares federais, e 99,3% dos 11.581 são celetistas ou temporários da CLT. Há ainda pelo menos 1.159 ids em outros quatro nomes que começam por ENFERMEIRO ou ENFERMAGEM: 1.084 de ENFERMAGEM - MS - 40H NS (temporários) e 75 celetistas sem remuneração publicada, em ENFERMEIRO II (56), ENFERMEIRO - 40H (18) e ENFERMEIRO DO TRABALHO - NI (1). Somados aos 16.838, a jornada de 36 horas segue a mais comum (11.660 de 17.997, 64,8%).

O arquivo não diz por que eles não aparecem na folha, e não apuramos. O efeito: este post descreve os 5.255 da folha, e não o cargo inteiro no governo federal.

E, dentro dessa conta, 792 ficam fora do mapa

792 dos 5.063 (15,6%) não entram em estado nenhum, porque o registro que consolidamos não traz a UF deles. Parte da ausência é nossa, não da fonte: o Portal publica a UF na linha do vínculo, e a verificação deste post achou UF publicada na linha que o nosso tratamento não lê. Dos 792, 345 têm função: o mapa por estado não inclui ninguém com função. O grupo tem mediana de R$ 12.175,18, abaixo da nacional de R$ 14.456,98.

No CAGED, o Rio admite por mais em duas faixas e o Pará em outra; nenhuma é a de 40 horas

O Novo CAGED mede o salário contratual de quem foi admitido com carteira assinada entre agosto de 2025 e julho de 2026; cada célula abaixo é a mediana desse salário, com o número de admissões entre parênteses. Nenhuma faixa dele casa com as 40 horas da folha: a de 40 horas existe, mas o Pará tem nela menos de 100 admissões, o corte de publicação das páginas do Pará e do Rio. Duas faixas passam de 100 nos dois estados e casam a jornada:

Faixa de jornada Pará: mediana (admissões) Rio: mediana (admissões) Mediana maior
31 a 39 horas R$ 3.556,94 (1.014) R$ 4.028,09 (2.849) Rio, +13,2%
41 a 44 horas R$ 3.218,98 (548) R$ 4.400,00 (1.798) Rio, +36,7%

Como a jornada não casa, isso não inverte a ordem da folha, e os dois lados não se dividem: um é o salário de admissão, o outro a bruta de quem já ocupa o cargo. As quatro células têm concentração num valor único (12,8% a 18,3% das admissões no mesmo salário) e servem só para ordenar os estados dentro da faixa.

A faixa de até 20 horas também passa de 100 admissões nos dois estados, e nela a mediana do Pará é a maior: R$ 3.950,00 contra R$ 1.837,87 no Rio, +114,9%. Ela ficou fora da tabela porque não controla a jornada: a jornada mediana declarada é de 0,4 hora por semana no Pará e de 11 no Rio, e um quarto das admissões do Rio tem salário de R$ 14,30 ou menos.

O que o dado não diz

Não sabemos a causa. O tempo de serviço existe no dado e difere: entre os ENFERMEIRO-AREA de 40 horas, a mediana desde o diploma de ingresso no serviço público é de 22,3 anos no Pará (100 pessoas) e de 17,7 no Rio (555). Não testamos se ele explica a distância, e a conta não o separa de nome e empregador. Classe e padrão não servem de escala, porque cada carreira usa a sua. Função comissionada não é testável aqui: dos 386.617 registros da folha com cargo efetivo e estado informado, nenhum tem função, porque as duas informações não convivem no registro que consolidamos.

UF de exercício é onde o órgão declarou que a pessoa trabalha, não onde ela mora, e o dado é de um mês só. O recorte é o Executivo civil federal que aparece na folha: ficam de fora os celetistas dos hospitais federais e ainda Judiciário, Legislativo, Ministério Público, militares, estados e municípios.

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