Público x Privado
Enfermeiro federal, estado por estado

Na folha de julho de 2026 do Executivo federal, a mediana da remuneração bruta do enfermeiro em jornada de 40 horas foi de R$ 18.253,11 no Pará e R$ 12.123,89 no Rio de Janeiro — R$ 6.129,22 de diferença entre as duas medianas: 50,6% a mais no Pará que no Rio. A lista de oito nomes de enfermeiro é a da página do cargo, e ela deixa de fora 995 registros do cargo ENFERMAGEM - MS - 40H NS, todos com contrato temporário, no Rio. Com eles, a mediana do Rio cai para R$ 11.001,56 e a diferença sobe para R$ 7.251,55: 65,9% a mais no Pará. Estado por estado, o contracheque difere.
Dado extraído da nossa base: portais oficiais de transparência, no setor público, e microdados do Novo CAGED, no setor privado. Ver as profissões → · Consultar a base →
Vinte estados, ponta a ponta
São 5.063 registros de enfermeiro em 40 horas com bruta declarada em julho, nos oito nomes de cargo da página do cargo; 4.179 estão nos 20 estados com pelo menos 30 servidores, o mínimo das páginas de cargo.
| Estado | Servidores | P25 | Mediana |
|---|---|---|---|
| Pará | 112 | R$ 15.303,19 | R$ 18.253,11 |
| Rio Grande do Sul | 260 | R$ 14.497,29 | R$ 16.561,49 |
| Goiás | 89 | R$ 16.124,70 | R$ 16.447,19 |
| Rio Grande do Norte | 110 | R$ 15.020,86 | R$ 16.372,64 |
| Paraíba | 109 | R$ 15.049,72 | R$ 16.339,69 |
| Mato Grosso do Sul | 70 | R$ 13.426,44 | R$ 16.097,31 |
| Santa Catarina | 140 | R$ 13.974,74 | R$ 16.097,31 |
| Espírito Santo | 50 | R$ 14.248,06 | R$ 16.097,31 |
| Ceará | 190 | R$ 13.887,59 | R$ 16.069,92 |
| Minas Gerais | 372 | R$ 13.974,74 | R$ 15.922,47 |
| São Paulo | 211 | R$ 13.019,03 | R$ 15.809,29 |
| Sergipe | 53 | R$ 15.049,72 | R$ 15.512,36 |
| Bahia | 137 | R$ 13.913,65 | R$ 15.479,71 |
| Alagoas | 55 | R$ 12.627,26 | R$ 15.190,76 |
| Paraná | 160 | R$ 12.659,54 | R$ 15.157,21 |
| Maranhão | 112 | R$ 13.913,65 | R$ 15.049,72 |
| Pernambuco | 163 | R$ 13.340,62 | R$ 15.049,72 |
| Amazonas | 44 | R$ 13.340,62 | R$ 14.829,02 |
| Distrito Federal | 143 | R$ 11.344,19 | R$ 12.859,89 |
| Rio de Janeiro | 1.599 | R$ 11.163,68 | R$ 12.123,89 |
Por que a jornada tem de estar fixada
Entre os enfermeiros que aparecem na folha de remuneração de julho, a jornada de 40 horas é 96,3% (5.063 de 5.255). Os outros 192 estão em quatro faixas pequenas: 110 em 36 horas, 47 em 20, 34 em 30 e uma com um registro só, cujo valor não publicamos. No cadastro do mesmo mês, porém, a jornada mais comum é a de 36 horas (seção abaixo).
A página do cargo soma todas as jornadas. Três recortes:
| Recorte | Pará | Rio de Janeiro | Pará a mais que o Rio |
|---|---|---|---|
| Todas as jornadas | R$ 18.383,08 (113) | R$ 12.075,19 (1.623) | +52,2% |
| Só jornada de 40 horas | R$ 18.253,11 (112) | R$ 12.123,89 (1.599) | +50,6% |
| 40 horas e o mesmo nome de cargo | R$ 18.489,65 (100) | R$ 15.437,01 (555) | +19,8% |
A jornada quase não muda a distância; a terceira linha é que muda.
Metade da distância some ao fixar o nome — e o empregador junto
Nos oito nomes, em 40 horas, cinco rótulos têm registro, e dois concentram quase tudo: ENFERMEIRO-AREA, 3.316 servidores e R$ 16.069,38, e ENFERMEIRO, 1.713 e R$ 11.925,21 — 5.029 dos 5.063; os outros 34 estão em três rótulos menores. Os extremos têm composição quase invertida: no Pará, 100 dos 112 são ENFERMEIRO-AREA; no Rio, 1.038 dos 1.599 são ENFERMEIRO e 555 são ENFERMEIRO-AREA.
Comparando só ENFERMEIRO-AREA dos dois lados, a diferença cai de R$ 6.129,22 para R$ 3.052,64 — de 50,6% para 19,8% a mais no Pará. O resto continua de pé: só com ENFERMEIRO-AREA, a mediana vai de R$ 18.489,65 no Pará a R$ 14.829,02 no Amazonas, 24,7% de ponta a ponta.
Só que fixar o nome, neste cargo, é fixar o empregador. Dos 115 órgãos que usam um dos dois rótulos, 114 usam só um — a exceção é a UFRJ, com 387 de um nome e 4 do outro. 3.306 dos 3.316 ENFERMEIRO-AREA estão em universidade ou instituto federal; 1.709 dos 1.713 ENFERMEIRO estão fora do ensino. No Pará, 89 dos 112 estão na UFPA; no Rio, 976 dos 1.599 no Ministério da Saúde. A conta separa nome e empregador ao mesmo tempo: não dá para saber qual pesa.
O que fica fora do recorte: 995 temporários no Rio
A lista de oito nomes é a da página do cargo, e ela não inclui ENFERMAGEM - MS - 40H NS: 1.062 registros, todos em 40 horas e em “CONTRATO TEMPORARIO” no Ministério da Saúde, com mediana de R$ 4.668,18 — 995 no Rio, 67 sem UF, nenhum no Pará. O arquivo não descreve o cargo além do nome. Nos oito nomes, 1.707 dos 1.711 registros de Pará e Rio são “ATIVO PERMANENTE”. Com o rótulo, o Rio passa a ter 2.594 registros:
| Recorte | Pará | Rio de Janeiro | Pará a mais que o Rio |
|---|---|---|---|
| Os oito nomes (o recorte deste post) | R$ 18.253,11 (112) | R$ 12.123,89 (1.599) | R$ 6.129,22 (+50,6%) |
Com ENFERMAGEM - MS - 40H NS |
R$ 18.253,11 (112) | R$ 11.001,56 (2.594) | R$ 7.251,55 (+65,9%) |
A mediana nacional de 40 horas, R$ 14.456,98 nos oito nomes, seria R$ 12.951,98. Mantivemos a lista da página do cargo e do post Duas medidas da mesma profissão; quem quiser contar os temporários lê o Rio pela segunda linha.
O maior empregador do cargo não está nesta conta
O cadastro do mesmo mês tem 16.838 ids com um dos oito nomes, e a jornada mais comum entre eles é a de 36 horas, com 11.598 (68,9%). Desses ids, 11.581 não têm linha no arquivo de remuneração — 2,2 vezes os 5.255 com remuneração bruta declarada, em todas as jornadas. Onde trabalham:
| Órgão de exercício | Enfermeiros sem remuneração publicada |
|---|---|
| Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) | 9.261 |
| Hospital Nossa Senhora da Conceição | 1.449 |
| Hospital de Clínicas de Porto Alegre | 792 |
| Outros 30 órgãos | 79 |
As três primeiras são entidades hospitalares federais, e 99,3% dos 11.581 são celetistas ou temporários da CLT. Há ainda pelo menos 1.159 ids em outros quatro nomes que começam por ENFERMEIRO ou ENFERMAGEM: 1.084 de ENFERMAGEM - MS - 40H NS (temporários) e 75 celetistas sem remuneração publicada, em ENFERMEIRO II (56), ENFERMEIRO - 40H (18) e ENFERMEIRO DO TRABALHO - NI (1). Somados aos 16.838, a jornada de 36 horas segue a mais comum (11.660 de 17.997, 64,8%).
O arquivo não diz por que eles não aparecem na folha, e não apuramos. O efeito: este post descreve os 5.255 da folha, e não o cargo inteiro no governo federal.
E, dentro dessa conta, 792 ficam fora do mapa
792 dos 5.063 (15,6%) não entram em estado nenhum, porque o registro que consolidamos não traz a UF deles. Parte da ausência é nossa, não da fonte: o Portal publica a UF na linha do vínculo, e a verificação deste post achou UF publicada na linha que o nosso tratamento não lê. Dos 792, 345 têm função: o mapa por estado não inclui ninguém com função. O grupo tem mediana de R$ 12.175,18, abaixo da nacional de R$ 14.456,98.
No CAGED, o Rio admite por mais em duas faixas e o Pará em outra; nenhuma é a de 40 horas
O Novo CAGED mede o salário contratual de quem foi admitido com carteira assinada entre agosto de 2025 e julho de 2026; cada célula abaixo é a mediana desse salário, com o número de admissões entre parênteses. Nenhuma faixa dele casa com as 40 horas da folha: a de 40 horas existe, mas o Pará tem nela menos de 100 admissões, o corte de publicação das páginas do Pará e do Rio. Duas faixas passam de 100 nos dois estados e casam a jornada:
| Faixa de jornada | Pará: mediana (admissões) | Rio: mediana (admissões) | Mediana maior |
|---|---|---|---|
| 31 a 39 horas | R$ 3.556,94 (1.014) | R$ 4.028,09 (2.849) | Rio, +13,2% |
| 41 a 44 horas | R$ 3.218,98 (548) | R$ 4.400,00 (1.798) | Rio, +36,7% |
Como a jornada não casa, isso não inverte a ordem da folha, e os dois lados não se dividem: um é o salário de admissão, o outro a bruta de quem já ocupa o cargo. As quatro células têm concentração num valor único (12,8% a 18,3% das admissões no mesmo salário) e servem só para ordenar os estados dentro da faixa.
A faixa de até 20 horas também passa de 100 admissões nos dois estados, e nela a mediana do Pará é a maior: R$ 3.950,00 contra R$ 1.837,87 no Rio, +114,9%. Ela ficou fora da tabela porque não controla a jornada: a jornada mediana declarada é de 0,4 hora por semana no Pará e de 11 no Rio, e um quarto das admissões do Rio tem salário de R$ 14,30 ou menos.
O que o dado não diz
Não sabemos a causa. O tempo de serviço existe no dado e difere: entre os ENFERMEIRO-AREA de 40 horas, a mediana desde o diploma de ingresso no serviço público é de 22,3 anos no Pará (100 pessoas) e de 17,7 no Rio (555). Não testamos se ele explica a distância, e a conta não o separa de nome e empregador. Classe e padrão não servem de escala, porque cada carreira usa a sua. Função comissionada não é testável aqui: dos 386.617 registros da folha com cargo efetivo e estado informado, nenhum tem função, porque as duas informações não convivem no registro que consolidamos.
UF de exercício é onde o órgão declarou que a pessoa trabalha, não onde ela mora, e o dado é de um mês só. O recorte é o Executivo civil federal que aparece na folha: ficam de fora os celetistas dos hospitais federais e ainda Judiciário, Legislativo, Ministério Público, militares, estados e municípios.
A busca de remuneração mostra cargo por cargo e órgão por órgão, como o portal publicou.
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