Carteira Assinada

A jornada que cada profissão contrata

Autor Equipe Ganha QuantoPublicado Dado de agosto/2025 a julho/2026Fonte Microdados do Novo CAGED — MTE/PDET — admissões de ago/2025 a jul/2026, Brasil, nas 23 ocupações com página em /salarios/

A jornada que cada profissão contrata

Entre agosto de 2025 e julho de 2026, em seis das 23 profissões com página em /salarios/ a faixa de jornada que mais contratou com carteira assinada não foi a de 40 horas semanais nem a de 41 a 44 horas, e sim uma faixa menor. Nessas seis, as duas faixas somadas cobrem de 17,6% a 44,6% das admissões da profissão; nas outras 17, nunca menos de 67,3%.

Jornada principal fora de 40h e 41 a 44h
6 das 23
Fisioterapeuta: 40h + 41 a 44h
17,6% das admissões
Mediana de 40h acima da de 41 a 44h
20 das 23

Dado extraído dos microdados do Novo CAGED, do Ministério do Trabalho e Emprego. Ver as profissões →

Isso muda a leitura de uma comparação que tem direção clara: a mediana de admissão de 40 horas é maior que a de 41 a 44 horas em 20 das 23 profissões, idêntica ao centavo em uma e menor em duas. A diferença vai de +80,1% em pedagogo — R$ 3.781,68 contra R$ 2.100,00 — a -5,2% em fisioterapeuta.

As 23 profissões, da maior diferença para a menor

Profissão Mediana 40h Mediana 41 a 44h Diferença Jornada mais contratada
Pedagogo R$ 3.781,68 R$ 2.100,00 +80,1% 41 a 44h
Médico-veterinário R$ 6.697,00 R$ 3.859,20 +73,5% 41 a 44h
Coordenador pedagógico R$ 4.920,20 R$ 3.000,00 +64,0% 41 a 44h
Administrador R$ 5.297,00 R$ 3.536,13 +49,8% 41 a 44h
Analista de TI R$ 6.500,00 R$ 4.500,00 +44,4% 40h
Técnico de enfermagem R$ 3.022,72 R$ 2.291,31 +31,9% 31 a 39h
Bibliotecário R$ 4.508,11 R$ 3.436,05 +31,2% 41 a 44h
Contador R$ 5.300,00 R$ 4.200,00 +26,2% 41 a 44h
Técnico de laboratório R$ 2.749,57 R$ 2.236,38 +22,9% 41 a 44h
Psicólogo R$ 4.179,16 R$ 3.500,00 +19,4% 21 a 30h
Advogado R$ 4.750,00 R$ 4.006,30 +18,6% 41 a 44h
Técnico de TI R$ 2.445,99 R$ 2.088,50 +17,1% 41 a 44h
Assistente administrativo R$ 2.279,72 R$ 2.000,00 +14,0% 41 a 44h
Engenheiro R$ 12.100,00 R$ 10.775,00 +12,3% 41 a 44h
Assistente social R$ 3.750,00 R$ 3.361,53 +11,6% 21 a 30h
Farmacêutico R$ 5.078,07 R$ 4.722,00 +7,5% 41 a 44h
Nutricionista R$ 4.300,00 R$ 4.000,00 +7,5% 41 a 44h
Enfermeiro R$ 4.650,00 R$ 4.479,16 +3,8% 31 a 39h
Auxiliar de enfermagem R$ 2.392,00 R$ 2.375,00 +0,7% 31 a 39h
Motorista R$ 2.457,26 R$ 2.455,95 +0,1% 41 a 44h
Diretor de escola R$ 5.799,00 R$ 5.799,00 +0,0% 41 a 44h
Auxiliar de serviços gerais R$ 1.649,12 R$ 1.730,75 -4,7% 41 a 44h
Fisioterapeuta R$ 2.750,00 R$ 2.900,00 -5,2% 21 a 30h

“41 a 44 horas” é uma faixa, não um número: reúne toda jornada declarada acima de 40 e até 44 horas, inclusive fracionária — 42,5 e 40,25 estão as duas ali dentro —, então a distância entre as colunas pode ser de quatro horas ou de alguns minutos. As 46 células têm, todas, pelo menos 100 admissões.

Em seis profissões, nem 40h nem 41 a 44h é a jornada mais contratada

A última coluna muda a leitura das outras: em seis das 23, a faixa que concentra as admissões não é nenhuma das duas comparadas.

Profissão Jornada mais contratada Participação dela 40h + 41 a 44h somadas
Fisioterapeuta 21 a 30h 63,3% 17,6%
Assistente social 21 a 30h 58,5% 23,4%
Técnico de enfermagem 31 a 39h 58,4% 35,2%
Auxiliar de enfermagem 31 a 39h 58,4% 37,4%
Psicólogo 21 a 30h 34,8% 42,0%
Enfermeiro 31 a 39h 44,9% 44,6%

Em fisioterapeuta o contraste é o maior: os 63,3% de 21 a 30 horas têm mediana de R$ 3.449,84, acima das duas da linha da tabela. As seis são profissões de saúde e assistência, mas a recíproca não vale — farmacêutico, nutricionista, técnico de laboratório e médico-veterinário também são, e contratam predominantemente em 41 a 44 horas.

As duas inversões não são o mesmo caso

Em auxiliar de serviços gerais (-4,7%), as duas faixas somam 85,8% das admissões, 64.473 e 1.115.650: a inversão acontece entre as faixas em que a profissão de fato contrata.

Em fisioterapeuta (-5,2%), elas somam 17,6% — 551 e 2.398 admissões, contra 10.625 em 21 a 30 horas. A inversão está nas células, e as células descrevem menos de um quinto da profissão.

Quando a diferença não está medindo salário

O agregado marca uma célula como ponto de massa quando ela passa em qualquer um de três testes: o valor mais repetido concentra 10% ou mais da célula; ou a mediana é exatamente esse valor e ele tem pelo menos 5%; ou os códigos de ocupação que concentram cada um num valor próprio — 200 admissões ou mais, com 10% ou mais num mesmo valor — somam um quarto ou mais da célula (o post sobre o analista de TI detalha os três). Por ser um ou, a marca não quer dizer que a mediana esteja sobre um valor repetido: motorista passa só no terceiro teste, e o valor mais repetido da sua célula de 40 horas tem 7,6%.

Dos 23 pares, 14 têm marca em ao menos uma das duas células e nove não têm em nenhuma. Nos nove sem marca a diferença vai de +73,5% a +7,5%, com a faixa de 40 horas à frente em todos — sem zero e sem inversão. As duas pontas da tabela e as duas linhas em que a diferença some estão todas entre os 14.

O 0,0% do diretor de escola mostra o efeito: R$ 5.799,00 nas duas faixas, mas 250 admissões contra 716, médias de R$ 7.250,14 e R$ 9.735,85, e 12,0% das admissões de 40 horas exatamente nesse valor contra 1,26% das de 41 a 44. Duas medianas iguais não são dois salários iguais. O agregado publica percentis e média de cada célula, mas não a contagem num valor escolhido: esse 1,26% teve de ser medido no microdado.

O que o dado não diz

  • Não diz por quê. Nada na fonte explica a diferença entre as duas faixas. O microdado tem colunas de porte do estabelecimento, escolaridade e município, e este recorte não controla nenhuma delas.
  • “Maior” aqui é sempre maior que a faixa de 41 a 44 horas, não maior que todas. Em advogado, a faixa de 31 a 39 horas tem mediana de R$ 7.865,12 (530 admissões), acima dos R$ 4.750,00 de 40 horas e dos R$ 4.006,30 de 41 a 44.
  • É salário de admissão: o valor contratual declarado ao Ministério do Trabalho no registro da contratação, sem parte variável, comissão, hora extra, participação nos lucros nem benefício.
  • Nem toda admissão entra na conta. Antes de qualquer número, o processamento derruba cinco grupos: aprendiz, intermitente, salário zero, salário em unidade variável ou não informada e salário por tarefa. O maior de longe é o aprendiz: 9,4% das admissões das 23 profissões na janela, contra 1,4% dos outros quatro somados.
  • Quem declara atividade de administração pública fica fora. Antes do corte, ela passava de 5% em doze das 46 células — as doze da faixa de 40 horas, de 5,6% a 24,6%. O corte retira proporcionalmente mais admissões de um dos dois lados.
  • A janela cruza dois salários mínimos: R$ 1.518,00 até dezembro de 2025 e R$ 1.621,00 desde 1º de janeiro de 2026. Em sete das 46 células, o valor mais repetido é exatamente R$ 1.621,00.
  • A ocupação é a declarada pelo empregador, não uma verificação do que a pessoa faz. A nota técnica dos microdados no FTP do PDET (NOTA_TECNICA_microdados.pdf) pede que ela seja usada “com certa cautela” no nível desagregado, e diz que “em termos gerais, sua utilização em nível mais agregado não está comprometida”. Esta análise é agregada.

Como usar isso

Antes de comparar dois salários de admissão da mesma profissão, confira se os dois vêm da mesma faixa de jornada e se essa faixa é aquela em que a profissão contrata — as duas respostas estão nas páginas de /salarios/.

Este site também publica a folha do setor público, em /remuneracao/ e na busca de remuneração — outra fonte, outro regime e outra grandeza: nenhum número deste texto é comparável com os de lá.

Veja o salário por profissão

O salário de admissão com carteira assinada, por jornada, nas profissões que o site publica — da mesma apuração deste texto.

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