Reajustes e Carreira Pública

Quem teve reajuste em 2026, e de quanto

Autor Equipe Ganha QuantoPublicado Dado de julho/2026 (federal e Estado de SP) e agosto/2026 (Prefeitura de SP)Fonte Leis e decretos (planalto.gov.br, Alesp, Prefeitura de SP); contagens: Portal da Transparência federal, Portal da Transparência do Estado de SP e dados abertos da Prefeitura de SP

Quem teve reajuste em 2026, e de quanto

Em 2026, as três folhas de pagamento que acompanhamos tiveram reajuste, e nenhum foi igual ao outro. As polícias do Estado de São Paulo ganharam 10% no vencimento a partir de abril. A Prefeitura de São Paulo pagou 4,601% em maio, somando parcelas de duas leis. No governo federal, os três planos de carreira que conferimos na lei ganharam tabelas novas em abril, com aumentos de 3,5% a 8,2%, conforme a carreira e o degrau. Fora as polícias, não encontramos reajuste geral do Estado de São Paulo em 2026.

Federal, abril/2026
3,5% a 8,2%
Polícias de SP, abril/2026
10%
Prefeitura de SP, maio/2026
4,601%

Dado extraído da nossa base de remuneração, montada a partir dos portais oficiais de transparência. Consultar a base →

O mapa em uma tabela

Leis e decretos conferidos até 18/09/2026, no texto oficial:

Esfera Quem Quanto Desde Norma
Federal Plano Geral de Cargos (PGPE) 5,0% a 8,2% no vencimento (nível superior); 5,0% no ponto da gratificação 01/04/2026 Lei 15.141/2025, Anexos XIX e XX
Federal Técnico-administrativos em educação (PCCTAE) 5,0% a 6,8% no vencimento 01/04/2026 Lei 15.141/2025, Anexo CCXXIV
Federal Professores do Magistério Superior e do EBTT 3,5% a 6,1% no vencimento e na retribuição por titulação 01/04/2026 Lei 15.141/2025, Anexos LXXIX e LXXX
Estado de SP Polícias Militar, Civil e Técnico-Científica 10% no vencimento 01/04/2026 Lei 18.441/2026
Estado de SP Professores abaixo do piso nacional abono até R$ 5.130,63 (40 horas) 01/01/2026 (retroativo) Decreto 70.483/2026
Estado de SP Quem recebe menos que o mínimo paulista abono até R$ 1.874,36 (jornada completa) mês seguinte à publicação Lei 18.470/2026
Estado de SP Demais servidores nenhum reajuste geral encontrado em 2026 — —
Prefeitura de SP Servidores, aposentados e pensionistas com paridade 4,601% (2,55% e 2%, um sobre o outro) 01/05/2026 Lei 18.235/2025 e Lei 18.463/2026, art. 2º
Prefeitura de SP os mesmos mais 1,48% 01/05/2027, ou antes Lei 18.463/2026, art. 2º

Federal: não existe um percentual único para abril

A Lei 15.141/2025 reestruturou dezenas de carreiras do Executivo federal. Nas carreiras que conferimos, as tabelas trazem uma coluna de valores vigentes desde 1º de janeiro de 2025 e outra desde 1º de abril de 2026 (algumas trazem também a de 2023). O reajuste de abril é a diferença entre essas duas colunas, e ela muda de degrau para degrau.

Nos três planos que conferimos:

  • PGPE, o plano geral: o vencimento de nível superior sobe 5,0% no primeiro degrau (classe A, padrão I) e 8,2% no último (Especial V). No nível intermediário, vai de 5,0% a 7,5%. O valor do ponto da gratificação de desempenho sobe 5,0% em todos os degraus.
  • PCCTAE, dos técnicos das universidades e institutos federais: 5,0% no padrão inicial e 6,8% no último, nos cinco níveis de classificação.
  • Magistério Superior e EBTT, os professores: 3,5% na classe inicial e 6,1% no professor titular, tanto no vencimento quanto na retribuição por titulação.

Ou seja, os “3,5% dos professores federais” são o piso do reajuste da carreira, não a regra para todos. Nos três planos, o menor percentual fica no início da carreira e o maior, no último degrau. A dupla “9% em 2025 e 5% em 2026”, repetida como resumo do acordo, só aparece escrita assim na lei para os empregados beneficiados pela Lei 8.878/1994 (art. 23).

Na nossa base, o Executivo federal civil tem 515.189 contracheques em julho de 2026. Deles, 138.067 são de professores efetivos das duas carreiras, contando um cargo por pessoa (quem acumula dois cargos efetivos aparece num só): 87.507 do Magistério Superior, 50.448 do EBTT e 112 titulares-livres. Os técnicos do PCCTAE trabalham nas universidades e nos institutos federais, mas a folha não tem um campo com o plano de carreira de cada servidor. Pelo mesmo motivo, não dá para contar quantos são do PGPE.

As páginas de professor universitário e de professor de ensino técnico mostram quanto essas carreiras recebem hoje. Como o reajuste apareceu no contracheque, cargo a cargo, está no post sobre o reajuste de abril no contracheque federal.

Estado de SP: 10% para as polícias, abonos para o resto

A Lei 18.441/2026, de 2 de abril, fixa novos vencimentos para delegados, demais carreiras policiais civis e Polícia Militar, com efeitos desde 1º de abril. A lei traz as tabelas, não o percentual. O percentual está na exposição de motivos do Projeto de Lei 226/2026, assinada pela Secretaria da Segurança Pública: “o reajuste em 2026 será de 10%”, para mais de 198 mil pessoas entre ativos e inativos, com impacto estimado de R$ 1,02 bilhão no ano.

Na nossa base, são 106.575 policiais ativos em julho de 2026: 79.304 da Polícia Militar e 27.271 das carreiras civis e técnico-científicas, de delegado a auxiliar de necropsia. O número do governo, de mais de 198 mil, inclui os inativos. O portal estadual publica ativos, aposentados e pensionistas, mas a nossa base guarda só os ativos.

Para os professores da rede estadual, não encontramos reajuste de tabela em 2026. O que houve foi um abono: o Decreto 70.483/2026 complementa o salário de quem está numa faixa e num nível abaixo do piso nacional, até R$ 5.130,63 na jornada de 40 horas (e proporcional nas menores), com efeito retroativo a 1º de janeiro. É o valor do piso de 2026, hoje escrito na Lei 11.738 pela Lei 15.437/2026. A Secretaria da Educação tem 199.220 registros de professores ativos em julho, mas o abono só vai para parte deles, e a folha publicada não permite saber quantos.

A Lei 18.470/2026 faz o mesmo com o salário mínimo paulista: quem tem retribuição global abaixo de R$ 1.874,36 (jornada completa) recebe um abono até chegar a esse valor. Segundo o governo estadual, em notícia da Alesp, são mais de 89 mil ativos, aposentados e pensionistas.

Para o conjunto dos servidores estaduais, não encontramos lei de reajuste geral em 2026. A lei mais recente que achamos é de 2025: 5% para diversas categorias do Executivo estadual, aprovados pela Alesp em maio daquele ano (Projeto de Lei Complementar 12/2025).

Prefeitura de SP: 4,601% em maio, e mais 1,48% a caminho

Em maio de 2026, duas leis municipais pagaram parcelas ao mesmo tempo. A Lei 18.235/2025 já previa 2,55% a partir de 1º de maio de 2026, como segunda parcela da revisão de 2025. A Lei 18.463/2026 somou 2% na mesma data. Uma sobre a outra, dão 4,601%.

A mesma Lei 18.463 prevê mais 1,48% em 1º de maio de 2027. Essa parcela pode ser antecipada para novembro ou dezembro de 2026 se a arrecadação da cidade até outubro passar dos valores fixados no § 2º do art. 2º. Se for, o reajuste pago em 2026, somadas as três parcelas, chega a 6,15%. A lei também reajusta aposentadorias e pensões com paridade e funções gratificadas (art. 3º), e aumenta o auxílio-refeição e o vale-alimentação em 3,51% (art. 8º).

Para os professores municipais, a lei mantém um abono complementar (arts. 5º a 7º). Segundo a Prefeitura, com ele o piso inicial na jornada de 40 horas passa a R$ 5.831,88.

Na nossa base, a folha que a Prefeitura publicou para agosto de 2026 tem 128.508 registros, 67.308 deles de professores.

O que este mapa não mostra

  • O efeito em reais. Aqui só contamos quantas pessoas estão em cada grupo. No Estado de SP, a remuneração bruta que o portal publica soma o salário do mês com férias, 13º, eventuais e indenizações, e por isso não serve para medir reajuste de tabela.
  • Quem exatamente recebeu cada abono. A folha não mostra quem estava abaixo do piso ou do mínimo paulista.
  • O plano de carreira federal. O Portal da Transparência não tem um campo com o plano de cada servidor. Por isso, o PCCTAE e o PGPE não foram contados.
  • Outros poderes e outras esferas. Judiciário, Legislativo, Ministério Público, militares federais, outros estados e outros municípios têm leis próprias e não entram neste mapa. Também não medimos reestruturações de carreiras específicas aprovadas em 2026.
  • Aposentados. O portal do Estado de SP publica aposentados e pensionistas, mas a nossa base guarda só os ativos. Não conferimos se o arquivo da Prefeitura inclui aposentados.

Quer ver quanto uma carreira recebe hoje? Os valores de cada cargo estão em /remuneracao/, por esfera federal e Estado de SP. Os cargos mais bem pagos do federal estão neste ranking. E dá para procurar qualquer cargo ou órgão na busca de remuneração.

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