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Federal, Estado ou Prefeitura de SP: quem paga mais ao servidor em 4 cargos

Autor Equipe Ganha QuantoPublicado Dado de agosto/2026Fonte Portal da Transparência do Governo Federal (SIAPE, Executivo civil), Portal da Transparência do Estado de SP (só ativos) e Portal de Dados Abertos da Prefeitura de SP — folhas de ago/2026, quatro famílias de cargo

Federal, Estado ou Prefeitura de SP: quem paga mais ao servidor em 4 cargos

Quem paga mais ao servidor: o governo federal, o Estado de São Paulo ou a Prefeitura de São Paulo? Depende do cargo. Na folha de agosto de 2026, a mediana do assistente administrativo federal foi de R$ 7.556,51, mais que o dobro da do Estado, de R$ 3.607,01. No professor e no auditor fiscal, quem fica na frente é a Prefeitura.

Assistente administrativo: federal
R$ 7.556,51
Professor: Prefeitura de SP
R$ 11.245,44
Médico de 20h: federal fica em último
R$ 9.599,17

Dados oficiais dos portais de transparência, organizados pelo Ganha Quanto. Consultar a base →

A comparação usa quatro famílias de cargo que aparecem nas três folhas comparadas aqui: assistente administrativo, médico, professor da educação básica e auditor fiscal. Os dados são de agosto de 2026, do Portal da Transparência federal (Executivo civil), do Portal da Transparência do Estado (só servidores ativos) e do portal de dados abertos da Prefeitura. Cada folha entra com a medida que publica, e elas não são iguais: a bruta da Prefeitura soma parcelas que a federal deixa de fora, como férias, 13º e auxílios. No auditor fiscal, a liderança da Prefeitura depende delas: sem essas parcelas, o federal passa à frente. No Estado, a medida é o salário do mês. Cada cargo tem, em cada folha, de 500 a 197.149 registros. Registro é uma linha da folha: uma pessoa pode ter mais de um vínculo e aparecer mais de uma vez. O procurador, que também está nas três, ficou fora: os honorários advocatícios entram na medida da Prefeitura, mas não na bruta federal, porque o Portal da Transparência os publica em arquivo à parte.

Quem paga mais em cada cargo

Mediana de agosto de 2026, com o número de registros entre parênteses. O que cada medida inclui vem logo abaixo.

Cargo Federal (remuneração bruta) Estado de SP (salário do mês) Prefeitura de SP (remuneração bruta) Na frente
Assistente administrativo R$ 7.556,51 (57.030) R$ 3.607,01 (9.946) R$ 7.220,85 (4.339) federal
Médico R$ 15.056,89 (7.839) R$ 11.241,30 (8.044) R$ 12.850,23 (1.780) federal
Professor da educação básica R$ 4.916,12 (1.654) R$ 6.018,70 (197.149) R$ 11.245,44 (67.246) Prefeitura
Auditor fiscal R$ 44.004,91 (11.637) R$ 35.417,18 (2.570) R$ 56.800,05 (500) Prefeitura

Na medida que cada folha publica, federal e Prefeitura dividem a liderança, dois cargos cada. O Estado fica em último em três cargos e em segundo no professor.

A medida de cada folha não é a mesma

Os nomes se parecem, o conteúdo não. Por isso o auditor fiscal muda de líder quando a régua muda.

  • Federal: a remuneração bruta do mês, sem 13º, férias e pagamentos eventuais, que o portal publica em colunas à parte, e sem auxílios. Ela vem antes do abate-teto.
  • Estado de SP: o salário do mês, a coluna “Remuneração” do portal. Fica de fora o que o Estado publica em outras colunas: férias e 13º, pagamentos eventuais, licença-prêmio, abono de permanência e indenizações (onde está o auxílio-alimentação) e o redutor salarial.
  • Prefeitura de SP: a bruta, que é a soma de duas parcelas. A “Remuneração do Mês” reúne o que está sujeito ao teto. Os “Demais Elementos” podem trazer férias, 13º, hora extra, auxílio-refeição, vale-alimentação e atrasados, segundo o dicionário de dados da Prefeitura.

Se a Prefeitura entrar só com a “Remuneração do Mês”, sem os “Demais Elementos”, o auditor fiscal troca de líder. A mediana municipal cai para R$ 40.824,10, e o federal, com R$ 44.004,91, passa à frente.

No professor, a liderança da Prefeitura resiste à troca. Só com a “Remuneração do Mês”, a mediana é de R$ 7.798,96, ainda acima dos R$ 6.018,70 do Estado. Agosto, porém, foi um mês alto: a mediana dos “Demais Elementos” do professor municipal foi de R$ 1.147,16 em julho para R$ 3.223,21 em agosto. A folha não diz qual parcela fez essa diferença.

Médico: na jornada de 20 horas, o federal cai para último

Em assistente administrativo e auditor fiscal, a grande maioria está numa jornada só, 40 horas. As exceções são o auditor da Prefeitura, que é de 44, e o assistente do Estado, em que 1.143 dos 9.946 registros estão em 30 horas. No médico, não. Cada folha mistura 20, 24 e 40 horas em proporções diferentes, e isso decide quem fica na frente.

Médico, ago/2026 (registros) Federal Estado de SP Prefeitura de SP
20 horas R$ 9.599,17 (4.309) R$ 10.796,16 (3.857) R$ 11.650,11 (970)
40 horas R$ 29.075,39 (3.085) R$ 17.522,96 (694) R$ 25.440,98 (205)

O federal, primeiro no total, é o último entre os médicos de 20 horas. Esse último lugar não depende da régua da Prefeitura. Já a ordem entre Prefeitura e Estado depende: só com a “Remuneração do Mês”, o médico municipal de 20 horas fica em R$ 10.464,33, abaixo do Estado. No Estado, 2.390 registros de médico aparecem com jornada “00”, que o portal não explica, e ficam fora das duas linhas.

No professor, nem dá para fazer essa conta. Para a maior parte dos professores, a Prefeitura publica regimes de trabalho docente (como JB e JEI), e não horas. No Estado, 116.850 dos 197.149 registros de professor aparecem com jornada “00”.

Auditor fiscal: muita gente no mesmo valor

No auditor fiscal federal, 5.239 dos 11.637 registros estão exatamente na mediana, R$ 44.004,91. Quando tanta gente recebe o mesmo valor, a mediana é esse valor de tabela, e não um meio-termo.

No Estado, 1.104 dos 2.570 registros de auditor têm desconto de redutor salarial em agosto, ligado ao teto do funcionalismo. O salário do mês da tabela vem antes desse desconto. Somando o redutor, a mediana não muda: continua em R$ 35.417,18.

O que o dado não diz

  • Por que um empregador paga mais. A folha mostra o valor, não a lei, a tabela ou a negociação por trás dele.
  • Que o cargo é o mesmo. As famílias foram montadas à mão, porque não há cadastro comum de cargos entre as folhas. O “assistente administrativo” federal é sobretudo Assistente em Administração e Agente Administrativo. No Estado, é sobretudo Oficial Administrativo. O “professor da educação básica” federal é um grupo pequeno, em que os cargos mais numerosos são de professor regente de ensino e de professor de ex-território: o professor de universidade e de instituto federal fica em outra família, como mostra este post sobre as fontes de salário de professor.
  • Quanto cai na conta. Nenhuma das três medidas é o líquido.
  • Quanto paga quem está entrando. A mediana é o meio da folha, com gente de todo tempo de carreira. O salário de entrada está no edital.
  • O resto do serviço público. Outros estados, municípios e Poderes ficam fora.

Para que serve esta comparação

Se você está escolhendo entre concursos de esferas diferentes para o mesmo tipo de cargo, não existe regra do tipo “federal paga mais”. Olhe o cargo. Depois, olhe a jornada da vaga: no médico, 20 e 40 horas são mundos diferentes. E confira o que cada número inclui antes de comparar, porque férias, 13º e auxílios entram numa folha e não em outra.

Cada cargo tem a sua página, com a distribuição completa por folha e por órgão: assistente administrativo, médico, professor e auditor fiscal. Sobre os cargos do Estado, há também o ranking dos mais bem pagos. Para ver um órgão ou um nome específico, use a busca de remuneração.

Como medimos

Usamos o mesmo recorte das páginas de cargo do site: as mesmas listas de cargos em cada família, a folha de agosto de 2026 nas três fontes, só quem recebeu valor maior que zero na medida. A mediana é o valor do meio: metade recebe mais, metade recebe menos, e poucos salários muito altos não a puxam, como puxariam a média.

Consulte a remuneração você mesmo

Os números deste texto saem da mesma base que alimenta a busca do site — dado oficial, com o mês de referência sempre declarado.

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