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Bruto, líquido e o que sobra

Autor Equipe Ganha QuantoPublicado Atualizado Dado de julho/2026Fonte Portal da Transparência do Governo Federal — Servidores SIAPE (328.394 contracheques sem remuneração eventual no mês)

Bruto, líquido e o que sobra

O edital anuncia R$ 13 mil. A pergunta que todo mundo faz em seguida é “tá, mas quanto cai na conta?” — e a resposta habitual é um chute: “tira uns 30%”.

Contracheques num mês normal
328.394
Desconto na faixa R$ 5–10 mil
22,3%
Com auxílios, até R$ 5 mil
122% da bruta

Dado extraído da nossa base de remuneração, montada a partir dos portais oficiais de transparência. Consultar a base →

Dá para fazer melhor que chutar. O Portal da Transparência publica, para cada servidor do Executivo federal, a remuneração bruta, a líquida e os auxílios pagos por fora das duas. Com os contracheques de julho de 2026 lado a lado, dá para medir o que de fato sobra, faixa por faixa.

Primeiro, separar os meses atípicos

Um em cada três contracheques federais de julho trazia alguma remuneração eventual: terço de férias, décimo terceiro, acerto de mês anterior ou pagamento por decisão judicial. Esses valores entram no líquido mas não no bruto, e bagunçam qualquer comparação — é por causa deles que às vezes o líquido publicado fica maior que o bruto.

Para responder “quanto sobra num mês comum”, a conta abaixo usa só os 328.394 contracheques sem nenhuma remuneração eventual em julho de 2026. Nesse grupo, o líquido nunca passa do bruto.

Quanto sobra, de verdade

Mediana por faixa de remuneração bruta, Executivo federal, julho de 2026:

Faixa de remuneração bruta Contracheques Descontos obrigatórios Líquido + auxílios, em % da bruta
Até R$ 5 mil 16.155 9,2% 122%
R$ 5 mil a R$ 10 mil 81.923 22,3% 99%
R$ 10 mil a R$ 15 mil 82.748 25,2% 87%
R$ 15 mil a R$ 25 mil 95.991 27,4% 80%
R$ 25 mil a R$ 40 mil 44.035 33,3% 72%
Acima de R$ 40 mil 7.542 27,1% 76%

“Descontos obrigatórios”, aqui, são imposto de renda e previdência (as deduções obrigatórias do portal) mais, no topo, o abate-teto, que o portal publica numa linha à parte. Eles não incluem as “demais deduções” (adiantamentos e acertos), que também separam a bruta da líquida em parte dos contracheques. “Auxílios” são as verbas indenizatórias — alimentação, transporte, creche, a parte da União no plano de saúde —, que o portal publica numa coluna própria, por fora da bruta e da líquida.

1. O “tira 30%” só vale da metade para cima

A regra de bolso descreve razoavelmente quem ganha a partir de R$ 15 mil — e exagera muito para baixo disso.

Quem está na faixa de R$ 5 mil a R$ 10 mil tem 22,3% de desconto obrigatório, não 30%. Numa bruta de R$ 7,3 mil, a diferença entre as duas estimativas é de cerca de R$ 560 por mês.

2. Na base, os auxílios cobrem os descontos

A última coluna é a que muda a decisão. Os auxílios têm valor parecido em todas as faixas — a mediana fica entre R$ 1,2 mil e R$ 1,5 mil —, então pesam muito mais em cima de uma bruta pequena.

Até R$ 5 mil, o que a pessoa recebe somando líquido e auxílios é, na mediana, 22% maior que a bruta. Entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, os auxílios praticamente anulam os descontos. Só a partir daí o “sobra menos que o bruto” começa a valer.

Consequência prática: para cargos de nível médio e início de carreira, olhar só a remuneração bruta subestima o que a pessoa recebe. É justamente onde o candidato de primeiro concurso costuma olhar.

3. Acima de R$ 40 mil, o desconto cai

O percentual de desconto sobe faixa a faixa até R$ 40 mil e então recua. O abate-teto não explica isso — tirando o abate da conta, o desconto dessa faixa fica ainda um pouco menor. O arquivo público não traz o suficiente para dizer o que explica; registramos o padrão, não a causa.

Como fazer a sua conta

Se você está avaliando um cargo:

  1. Pegue a bruta real, não a do edital. O edital traz o vencimento inicial; a bruta efetiva inclui gratificações e adicionais que só aparecem no contracheque. É para isso que serve a busca de remuneração deste site — ela mostra o que quem ocupa o cargo hoje recebe de fato.
  2. Aplique o desconto da faixa certa, da tabela acima, não os 30% de sempre.
  3. Some os auxílios, principalmente se a bruta for abaixo de R$ 10 mil. Eles não aparecem nem na bruta nem na líquida e passam de mil reais.
  4. Tire os seus descontos pessoais. Consignado, plano de saúde e pensão alimentícia não são publicados pelo portal, e por isso não estão na tabela.
  5. Confira o mês. Dezembro tem décimo terceiro, o mês de férias tem o terço constitucional, e um mês com acerto de atrasados distorce tudo — o guia de como ler o contracheque explica cada linha.

O aviso necessário

Esses percentuais são medianas do Executivo federal num mês sem pagamentos eventuais. Desconto é pessoal: dependentes no imposto de renda, regime de previdência e descontos que o portal não publica mudam o resultado de cada um.

Servem para substituir um chute por uma estimativa ancorada em 328 mil contracheques reais. Não servem como simulação individual.

Correção em 18/09/2026: a coluna “Descontos obrigatórios” somava também as demais deduções (adiantamentos e acertos), que não são obrigatórias. Refeita só com imposto de renda, previdência e abate-teto, ela mudou em quatro faixas (na de R$ 5 mil a R$ 10 mil, de 23,0% para 22,3%). A coluna “Líquido + auxílios” não mudou.

Consulte a remuneração você mesmo

Os números deste texto saem da mesma base que alimenta a busca do site — dado oficial, com o mês de referência sempre declarado.

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