Rankings e Comparações
Os cargos mais bem pagos do Estado de SP

Em julho de 2026, o Estado de São Paulo pagou 508.922 contracheques a servidores ativos, com mediana de R$ 7.496,24. No topo, a distância é enorme: a carreira de Procurador do Estado teve mediana de R$ 64.445,39, 8,6 vezes a do servidor paulista. É também mais que os R$ 46.366,19 do subsídio de ministro do STF.
Dado extraído da nossa base de remuneração, montada a partir dos portais oficiais de transparência. Consultar a base →
O ranking, carreira por carreira
O portal estadual publica cada nível de uma carreira como se fosse um cargo separado: “Procurador do Estado Nível I”, “Nível II” e assim por diante. Ranqueando assim, a mesma carreira ocuparia cinco linhas. Por isso, juntamos os níveis e as classes de uma mesma carreira e calculamos a mediana do grupo inteiro. Também juntamos grafias diferentes do mesmo cargo. O caso maior é o de Pesquisador Científico: parte da carreira aparece como “PESQ.CIENTIFICO VI – SUBSIDIO” (e os demais níveis), porque a Lei Complementar 1.435/2025 passou a carreira para o regime de subsídio e deixou quem já estava nela optar pelo regime antigo. Somada, a carreira tem 790 servidores e mediana de R$ 23.357,49, e fica fora do top 10. Entram só carreiras com pelo menos 100 servidores somando os níveis, a mesma régua das páginas de remuneração do Estado de SP.
A régua é a remuneração bruta que o portal publica na listagem. Ela é o total do mês: soma o salário da carreira com férias, 13º, pagamentos eventuais, licença-prêmio e indenizações, como o auxílio-alimentação. Por isso o ranking mede o que foi pago no mês, não o salário-base de cada carreira.
Servidores ativos do Estado de SP, julho de 2026, remuneração bruta total:
| # | Carreira ou cargo | Servidores | Mediana | Vezes a mediana do Estado |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Procurador do Estado (níveis I a V) | 846 | R$ 64.445,39 | 8,6 |
| 2 | Auditor Fiscal da Receita Estadual | 2.383 | R$ 46.679,97 | 6,2 |
| 3 | Delegado de Polícia (3ª classe a classe especial) | 3.021 | R$ 35.293,46 | 4,7 |
| 4 | Tenente-coronel da PM | 245 | R$ 33.412,57 | 4,5 |
| 5 | Coordenador (Metrô, Prodesp e Desenvolve SP, principalmente) | 214 | R$ 29.550,43 | 3,9 |
| 6 | Major da PM | 521 | R$ 28.932,38 | 3,9 |
| 7 | Gerente (Prodesp, Desenvolve SP, CPTM, Metrô e fundações) | 168 | R$ 28.925,56 | 3,9 |
| 8 | Assessor Executivo (vários níveis, a maioria na CPTM: 108 de 133) | 133 | R$ 28.286,89 | 3,8 |
| 9 | Coordenador FCESP 1.13, função de confiança (Centro Paula Souza, CGE, DER, Fazenda e Educação, principalmente) | 242 | R$ 25.024,56 | 3,3 |
| 10 | Capitão da PM | 1.653 | R$ 24.766,71 | 3,3 |
Procuradoria, fisco e polícia civil abrem a lista. Depois vêm oficiais da Polícia Militar e cargos de chefia de empresas e fundações do Estado, como Metrô, CPTM, Prodesp e Desenvolve SP. Na PM, cada posto é publicado com nome próprio, então tenente-coronel, major e capitão aparecem separados.
A linha 9 é diferente das outras. Coordenador FCESP 1.13 é uma função de confiança da administração direta e das autarquias, criada pela Lei Complementar 1.395/2023. Quem a exerce recebe o salário do próprio cargo mais o valor da função. Por isso essa linha mistura servidores de carreiras de origem diferentes. O coronel ficou fora pela régua: só 64 no recorte, com mediana de R$ 41.584,34.
Na procuradoria, todos os níveis têm mediana acima de R$ 46.366,19
Aberta por nível, a carreira do topo fica assim. Até o Nível I, o de menor mediana, fica acima do subsídio de ministro do STF:
| Nível | Servidores | Mediana |
|---|---|---|
| Procurador do Estado Nível I | 296 | R$ 56.987,06 |
| Procurador do Estado Nível II | 101 | R$ 62.272,61 |
| Procurador do Estado Nível III | 118 | R$ 64.445,39 |
| Procurador do Estado Nível IV | 119 | R$ 67.262,16 |
| Procurador do Estado Nível V | 212 | R$ 70.077,94 |
A mediana de todos os níveis fica R$ 18.079,20 acima do subsídio de ministro do STF, 39,0% a mais. Não é coisa de alguns casos: 832 dos 846 procuradores (98,3%) tiveram remuneração bruta acima de R$ 46.366,19, o subsídio de ministro do STF, em julho.
A mesma conta para as outras duas carreiras do topo: 1.216 dos 2.383 auditores fiscais (51,0%) e 433 dos 3.021 delegados (14,3%). No Estado inteiro, foram 3.580 contracheques acima desse valor, entre 508.922.
Isso significa receber acima do limite constitucional? Com este dado, não dá para dizer
Há três motivos para não responder isso com esta tabela.
Primeiro, R$ 46.366,19 não é o limite dos procuradores. Pelo art. 37, inciso XI, da Constituição, os estados têm limites próprios. Para os procuradores, vale o subsídio dos desembargadores do Tribunal de Justiça, que não pode passar de 90,25% do subsídio dos ministros do STF. Aqui R$ 46.366,19 serve só como régua de comparação.
Segundo, a bruta publicada inclui parcelas que podem não contar para o limite. O dicionário de dados oficial do portal estadual define a remuneração bruta como a soma das parcelas do cargo efetivo, da função ou cargo comissionado, de “gratificações de qualquer natureza e vantagens pecuniárias de caráter temporário ou permanente (13º salário, férias etc.)”. Entre as parcelas, o mesmo dicionário traz “Férias e 13º Salário” e “Abono Permanência & Outras Indenizações”. E as parcelas de caráter indenizatório previstas na legislação não entram no cálculo do limite. Hoje quem garante isso é o art. 3º da Emenda Constitucional 135, de 2024, uma regra de transição que vale até sair a lei nacional exigida pelo § 11 do art. 37.
Terceiro, a nossa base guarda só o total. O portal mostra essas parcelas na página de detalhe de cada servidor, mas a listagem que usamos para montar o ranking traz a soma, e é só ela que temos. Sem a abertura, não dá para separar o que conta para o limite do que fica fora dele.
Qualquer resposta seria palpite, e aqui não publicamos palpite.
Um mês só engana, e o auditor mostra por quê
Como a bruta estadual soma parcelas que variam de um mês para outro, como férias, 13º e pagamentos eventuais, a mediana de um mês pode subir ou cair sem que o salário da carreira tenha mudado. Comparando junho e julho de 2026:
| Carreira | Junho | Julho |
|---|---|---|
| Procurador do Estado | R$ 63.724,78 | R$ 64.445,39 |
| Auditor Fiscal da Receita Estadual | R$ 55.338,25 | R$ 46.679,97 |
| Delegado de Polícia | R$ 36.078,58 | R$ 35.293,46 |
Procuradores e delegados quase não se mexeram. A mediana do auditor fiscal caiu mais de R$ 8 mil. Não apuramos o que mudou, nem qual dos dois meses é o “normal”. A ordem entre as três carreiras, porém, foi a mesma.
E o governo federal?
No ranking equivalente do Executivo federal, a mediana geral de julho de 2026 foi de R$ 13.730,20, contra R$ 7.496,24 do servidor ativo paulista.
Comparar os topos exige cuidado, porque as duas “brutas” não medem a mesma coisa. A federal é só a remuneração básica: 13º, férias, pagamentos eventuais e auxílios ficam em colunas à parte. A estadual soma tudo isso no mesmo número. Nesta comparação, a diferença de método favorece o lado estadual. E o dicionário estadual prevê um campo de “Redutor Salarial”, sem dizer se a bruta publicada vem antes ou depois dele.
Com essa ressalva, a maior mediana federal entre cargos com pelo menos 100 servidores foi de R$ 44.004,91, do auditor-fiscal da Receita Federal e do auditor fiscal do trabalho. Fica cerca de R$ 20 mil abaixo da mediana do procurador de SP. Com o auditor fiscal de SP, a distância é de só R$ 2.675, menor que a oscilação do próprio auditor paulista entre junho e julho. Não dá para concluir que um ganha mais que o outro.
O que este ranking não cobre
- Só servidores ativos. Aposentados e pensionistas do Estado não entram nesta base.
- Só a folha publicada no portal estadual, que inclui secretarias, autarquias, fundações e empresas como Metrô e CPTM. Tribunal de Justiça, Assembleia Legislativa, Ministério Público e Defensoria Pública não aparecem nesta folha. USP, Unicamp e Unesp também não. Das três, só aparecem hospitais das clínicas ligados a elas, como os da USP em São Paulo e em Ribeirão Preto. A Univesp e faculdades de medicina que são autarquias próprias, como Famerp e Famema, estão na folha.
- Remuneração bruta total. Inclui férias, 13º, eventuais e indenizações do mês. A líquida existe na fonte, mas o ranking usa a bruta, como nas demais páginas do site.
- Carreiras com menos de 100 servidores, mesmo quando pagam mais.
Para ver a distribuição completa de cada carreira, as páginas por família de cargo juntam as esferas: procurador, auditor fiscal e delegado de polícia. Para qualquer outro cargo, use a busca de remuneração.
Este texto é o retrato de um mês, por cargo. A lista dos órgãos com a maior mediana de remuneração, que se atualiza sozinha, está nos rankings.
Consulte a remuneração você mesmo
Os números deste texto saem da mesma base que alimenta a busca do site — dado oficial, com o mês de referência sempre declarado.